Protestos nas ruas da França colocam pressão sobre Sarkozy

Por James Mackenzie PARIS (Reuters) - Até 3 milhões de pessoas saíram às ruas da França na quinta-feira na segunda onda de protestos deste ano contra a política econômica do presidente Nicolas Sarkozy, e também para pedir mais ajuda aos trabalhadores neste momento de crise.

Reuters |

As pesquisas dizem que três quartos da população apoiam os protestos, que refletem a crescente frustração com as reformas de Sarkozy, já que a crise ceifou dezenas de milhares de empregos.

Centenas de jovens tiveram um rápido confronto com policiais ao final de um comício da maior central sindical em Paris. O sol de primavera contribuiu com a participação elevada, superior à da primeira jornada de manifestações, em 29 de janeiro.

Mas o primeiro-ministro François Fillon rejeitou terminantemente as reivindicações de mais ajuda estatal, dizendo que não há planos para novas medidas de estímulo econômico.

As ruas do centro de Paris ficaram repletas de manifestantes que agitavam cartazes contra Sarkozy e gritavam palavras de ordem. Vários levavam faixas com os dizeres "Casse toi, pauvre con" ("cai fora, seu tolo"), frase dita por Sarkozy a um manifestante numa feira agrícola.

Mais de 2 milhões de pessoas estão desempregadas na França, e muitas pessoas com emprego têm dificuldades financeiras.

O grande contingente de funcionários públicos e uma relativa rede de programas sociais mantiveram a França em melhores condições de enfrentar a crise do que muitos outros países, mas há profunda irritação da opinião pública com uma recente onda de fechamentos de fábricas e casos de abusos de executivos de empresas.

Sarkozy, eleito em 2007 com a promessa de chacoalhar a economia francesa, vê sua popularidade despencar. Ele liberou bilhões de dólares para resgatar bancos e fábricas de automóveis, mas rejeitou os pedidos dos sindicatos para aumentos salariais e mais impostos para os ricos.

"As pessoas estão nas ruas e estão sofrendo, há cada vez mais gente sem trabalho, e é preciso fazer algo", disse a manifestante Sylvie Daenenck em Paris. "Não deveríamos ficar simplesmente dando dinheiro aos patrões."

Fillon disse na TV que os executivos deveriam deixar de receber "salários astronômicos", mas descartou a liberação de mais dinheiro além do pacote de 26 bilhões de euros (36 bilhões de dólares) lançado no ano passado, seguidos por 2,65 bilhões de euros adicionais depois dos protestos de janeiro.

"Certamente não haverá um novo plano de estímulo", disse ele, acrescentando que os pacotes anteriores ainda não deram os resultados previstos.

(Reportagem adicional de Gerard Bon, Crispian Balmer, Laure Bretton, Clement Dossin e Elizabeth Pineau; Marc Parrad em Rouen; Pierre Thebault em Nice)

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