Protestos mundiais condenam ação de Israel

Ataque à frota de ajuda humanitária para Gaza provoca manifestações em diferentes países no Oriente Médio, na Europa e nos EUA

iG São Paulo |

Milhares de pessoas foram às ruas em diferentes países do mundo para protestar contra o ataque de Israel a uma frota humanitária a Gaza, que matou nove pessoas nesta sexta-feira.

Nazaré, cidade israelense de maioria árabe, as manifestações reuniram centenas de pessoas. Protestos também aconteceram em Beirute, no Líbano, onde refugiados palestinos condenaram a ação israelense, e em Amã, na Jordânia, onde manifestantes queimaram uma bandeira de Israel pintada com suásticas nazistas e pediram o fim do acordo de paz com Israel.

Na Turquia, manifestações aconteceram em diferentes cidades, a maior delas em Istambul, que reuniu dez mil pessoas, segundo a imprensa local. A concentração aconteceu na Praça de Taksim.

A ONG turca IHH é a principal responsável pela frota de navios que se dirigia a Gaza e muitos dos ativistas a bordo eram também da Turquia. Pouco depois de ser divulgada nesta madrugada a notícia do ataque israelense, já haviam ocorrido as primeiras manifestações espontâneas de centenas de pessoas, perante o consulado israelense em Istambul. Segundo o jornal "Hurriyet", a polícia usou bombas de gás lacrimogêneo para evitar que os manifestantes atacassem o consulado.

Em Ancara, mil pessoas protestaram perante à casa do embaixador israelense. O ato terminou sem incidentes, embora alguns dos manifestantes tenham lançado objetos contra o edifício. Os meios de comunicação turcos informaram que a polícia reforçou as medidas de segurança das embaixadas e consulados israelenses para prevenir possíveis protestos.

Europa e EUA

A França também foi palco de manifestações. Em Paris, cerca de 1.200 manifestantes protestaram em frente à embaixada de Israel, na avenida Champs-Elysées, com bandeiras palestinas.

As manifestações foram convocadas por vários grupos pró-palestinos e contaram com a participação de representantes do Partido Comunista e do Partido Verde, entre outros movimentos políticos. Após enfrentamentos, jovens foram dispersados pela polícia com gás lacrimogêneo.

Mais de mil pessoas também saíram em protesto em outras cidades francesas como Estrasburgo (leste), Lille (noroeste), Marselha (sudeste), Lyon (leste) e Toulouse (sul).

Em Madri, na Espanha, cerca de 600 manifestantes se reuniram em frente ao Ministério de Assuntos Exteriores. O protesto contou com a participação do coordenador geral da coalizão Esquerda Unida, Cayo Lara, que pediu ao governo espanhol, como presidente de turno da União Europeia (UE), que "congele" os acordos de associação e, especialmente, os relacionados a armamento com Israel.

Manuel Espinar, presidente da Associação Cultura, Paz e Solidariedade e pai do espanhol Manuel Tapial, que viajava no navio atacado, afirmou que "está sendo preparada uma guerra estratégica na região" e que "quem manda em Israel é o Exército".

Protestos menores também ocorreram nos Estados Unidos, principais apoiadores de Israel, em cidades como Nova York, São Francisco e Washington.

Reação internacional

A comunidade internacional reagiu fortemente contra o ataque de Israel aos navios de ajuda humanitária.

O governo da Turquia advertiu Israel para as "consequências irreparáveis" nas relações bilaterais. "Condenamos energicamente as práticas desumanas de Israel", afirma a chancelaria turca em um comunicado.

A pedido do governo turco, que é membro temporário do Conselho de Segurança da ONU, órgão anunciou que realizará nesta segunda-feira uma reunião emergencial sobre o ataque israelense.

A União Europeia (UE) pediu uma "investigação completa" das autoridades israelenses sobre as circunstâncias do ataque e reiterou o pedido de uma abertura "incondicional" de Gaza à ajuda humanitária e ao comércio. A Espanha, que exerce a presidência semestral da UE, convocou o embaixador de Israel para pedir explicações.

O presidente palestino Mahmud Abbas afirmou que o ataque foi "uma matança" e decretou três dias de luto nos territórios palestinos. A Autoridade Palestina exigiu uma reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU para debater o ataque e a Liga Árabe qualificou a operação de "crime".

O movimento radical palestino Hamas convocou árabes e muçulmanos a uma revolta diante das embaixadas de Israel.

Ajuda humanitária

A flotilha, que tinha mais de 700 passageiros, cumpria a última etapa de uma missão humanitária para entregar quase 10 mil toneladas de ajuda a Gaza.

Os barcos começaram a navegar em direção a Gaza a partir de águas internacionais diante do Chipre na tarde de domingo e tinham previsão de chegar à Gaza durante a madrugada.

Seis horas depois da partida da flotilha, três embarcações israelenses zarparam de Haifa com a missão de interceptar a viagem. Durante o fim de semana, Israel qualificou o comboio de ilegal e advertiu que apreenderia os barcos.

Israel decretou um bloqueio quase total à entrada de mercadorias na Faixa de Gaza desde que o grupo islâmico Hamas tomou à força o controle da região, em junho de 2007.

O Hamas é acusado pelos disparos de milhares de mísseis contra o território israelense na última década. Israel diz que permite a entrada de 15 mil toneladas de suprimentos de ajuda humanitária a Gaza a cada semana. Mas a Organização das Nações Unidas diz que isso é menos de um quarto do necessário.

Com EFE, AFP, Reuters e BBC Brasil

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