Protestos marcam segundo dia de greve nacional no Chile

Paralisação de 48 horas, que conta com sindicalistas e estudantes, deixou no primeiro dia 348 presos e 36 feridos em todo o país

iG São Paulo |

Milhares de pessoas participaram de passeatas nesta quinta-feira em quatro pontos da capital chilena, Santiago, para protestar no segundo dia de uma greve nacional de 48 horas , convocada por uma central sindical e apoiada por estudantes e professores.

O protesto foi convocado pela Central Unitária de Trabalhadores (CUT), que reúne cerca de 10% da força de trabalho do país. Os manifestantes exigem uma ampla lista de reivindicações, o que representa um dos principais desafios do governo do presidente Sebastián Piñera, 17 meses depois de tomar posse como chefe do Executivo do país.

Com pedidos que vão desde reforma da Constituição e mudanças no Código Trabalhista até a diminuição dos impostos dos combustíveis, o primeiro dia de greve, que conseguiu paralisar Santiago parcialmente na quarta-feira, deixou um saldo de 348 detidos e 36 feridos, sendo 33 civis e três policiais, em desordens registradas durante o dia pelo país.

As manifestações desta quinta-feira foram precedidas por uma noite de violência, com barricadas com fogo erguidas em diferentes pontos da capital.

Nesta quinta-feira, no centro da capital chilena algumas estações do metrô fecharam suas portas diante do avanço dos manifestantes, que marchavam segurando cartazes e bandeiras, em meio ao reforço policial. A malha ferroviária metropolitana, que transporta diariamente mais de 2 milhões de passageiros, registrou um movimento 27% menor durante as primeiras horas do dia. "As paralisações que estão atrapalhando o trânsito são pontuais", disse o ministro dos Transportes, Pedro Pablo Errázuriz, ao fazer um balanço prévio da situação.

‘Sem justificativa’

Para o porta-voz do governo, Andrés Chadwick, “a greve nasceu sem justificativa e terminou também sem justificativa, uma vez que seu objetivo era paralisar o país”.

O ministro da Economia chileno, Pablo Longueira, declarou que "se não pudesse pagar a educação de meus filhos, também estaria marchando" nos protestos estudantis a favor de uma educação gratuita. Ele disse, no entanto, que a greve de 48 horas convocada por sindicalistas em apoio às manifestações estudantis é "inútil e desnecessária" e "não terá benefício para o país".

Além de membros da CUT, aderem à greve estudantes e professores que, durante quase três meses, protagonizaram massivos protestos para exigir educação pública e de melhor qualidade. "O governo está empenhado em aparentar normalidade, quando todo o país sabe que não há normalidade hoje", afirmou Arturo Martínez, presidente da CUT, o maior sindicato do país, que reúne 10% da força de trabalho nacional.

Segundo a líder estudantil Camila Vallejo, o setor pensa em novas convocações. “Dissemos que ter uma educação é um problema social, é um problema de nossas famílias. Os trabalhadores estão com nossos pais também", afirmou a líder estudantil Camila Vallejo.

*Com AFP

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