Protestos marcam posse de Ahmadinejad no Irã

Centenas de manifestantes de oposição entraram em confronto nesta quarta-feira com policiais na capital do Irã, Teerã, no mesmo dia em que o presidente do país, Mahmoud Ahmadinejad, foi empossado em seu segundo mandato.

BBC Brasil |


Há informações de que dezenas de policiais foram mobilizados na cidade para evitar mais protestos contra Ahmadinejad, cuja reeleição, em 12 de junho, foi considerada fraudulenta pela oposição.

Em seu discurso de posse, Ahmadinejad fez um apelo por união no país - dividido desde as eleições -, defendeu o resultado das eleições e criticou países ocidentais.O presidente pediu uma "vontade nacional, uma determinação nacional" e disse que o país precisa "unir forças".

Crítica ao ocidente

Governos de vários países criticaram o resultado da eleição presidencial iraniana e se recusaram a enviar a tradicional carta dando os parabéns a Ahmadinejad pela reeleição, incluindo Estados Unidos, Alemanha, França e Grã-Bretanha.


Ahmadinejad fez seu discurso de posse nesta quarta-feira / Reuters


"Ninguém no Irã está esperando pelos cumprimentos de ninguém", afirmou Ahmadinejad no discurso, realizado no Parlamento em Teerã. "Alguns governos deveriam se sentir responsáveis por suas palavras e ações. O povo do Irã quer um diálogo construtivo (...) Vamos resistir às violações da lei e abuso."

"(Governos estrangeiros) só querem a democracia a serviço de seus próprios interesses - eles não respeitam os direitos de outras nações, eles se veem como os parâmetros da democracia - nosso povo é contra isto, por isso nosso povo está resistindo."

União Europeia e Grã-Bretanha enviaram representantes para a posse. Em seu discurso, o presidente iraniano também prometeu proteger a fé oficial, o sistema da revolução islâmica e a Constituição.

"Não tenho nenhum outro incentivo além de servir ao povo e ao país e não penso em nada além do progresso e desenvolvimento da nação", disse.

Boicote

Alguns pesos-pesados da política iraniana não compareceram à posse de Ahmadinejad, como os ex-presidentes Mohammad Khatami e Akbar Hashemi Rafsanjani.

Também não compareceram os dois candidatos de oposição derrotados na eleição, Mir Hossein Mousavi e Mehdi Karroubi, que continuam questionando os resultados da eleição.


Cadeiras ficaram vazias no Parlamento / AP


Ahmadinejad agora terá duas semanas para formar um governo, que deverá ser aprovado pelo Parlamento. Segundo o correspondente da BBC em Teerã Jon Leyne, o presidente encontrará dificuldades em formar um governo com credibilidade, já que recentemente ele se envolveu em disputas com políticos conservadores que costumavam ser seus aliados.

A imprensa estrangeira, incluindo a BBC, tem acesso restrito à cobertura dos acontecimentos no Irã. A vitória de Ahmadinejad desencadeou as maiores manifestações públicas no Irã desde a revolução de 1979, que levou ao poder o atual regime islâmico.

Pelo menos 30 pessoas morreram e centenas foram presas. Grupos da oposição seguem falando em fraude na votação e acreditam que o número de mortos e prisioneiros seja maior do que o divulgado.

Mais de cem oposicionistas, entre eles figuras importantes de antigos governos reformistas, foram julgados no sábado por acusações como vandalismo, tumulto e conspiração nos protestos que seguiram a reeleição de Ahmadinejad.


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