Protestos levam a cancelamento de cúpula de países asiáticos

Gaspar Ruiz Canela. Pattaya (Tailândia), 11 abr (EFE).- Uma cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean) foi hoje cancelada e alguns de seus dirigentes tiveram que sair de helicóptero, depois que os manifestantes atacaram a sede do encontro para exigir a renúncia do Governo da Tailândia Por causa da invasão ao edifício e dos confrontos travados na rua entre partidários e críticos do Executivo, o primeiro-ministro tailandês, Abhisit Vejjajiva, declarou estado de exceção na cidade de Pattaya, e ordenou que seu Governo adotasse medidas para garantir a segurança das autoridades No entanto, o premiê tailandês já suspendeu o estado de exceção, cerca de seis horas depois de ter entrado em vigor.

EFE |

Quase a metade dos dirigentes aiu do luxuoso hotel escolhido como sede pelo terraço, de onde saíram helicópteros com destino à base militar de U-Tapao.

O primeiro a ser retirado de helicóptero até a base militar foi Vejjajiva, que recebeu os outros dirigentes à medida que chegavam.

Entre eles, estavam os primeiros-ministros de Mianmar, general Thein Sein, e do Vietnã, Nguyen Tan Dung, assim como a presidente das Filipinas, Gloria Macapagal Arroyo, que havia chegado à Tailândia há apenas algumas horas.

O chefe de Estado indonésio, Susilo Bambang Yudhoyono,foi surpreendido pelo súbito cancelamento do encontro na base militar, de onde os presidentes da China, Wen Jiabao, e da Coreia do Sul, Lee Myung Bak, assim como o primeiro-ministro japonês, Taro Aso, deixaram a Tailândia, após ficarem presos nos respectivos hotéis.

A desordem tomou conta da cúpula quando cerca de 300 críticos ao Governo tailandês ultrapassaram o cordão policial com pouca dificuldade, quebraram os vidros do primeiro andar do edifício e invadiram o recinto onde estavam reunidos vários líderes da Asean.

"Abhisit tem que renunciar, não representa o povo tailandês, porque não foi eleito democraticamente. Exigimos eleições antecipadas", disse aos jornalistas Pichet Suksindatch, um dos líderes dos manifestantes partidários do ex-premiê Thaksin Shinawatra, deposto no golpe de Estado cometido em 2006 pelos militares.

Após permanecer mais de uma hora dentro do hotel, os manifestantes saíram do local com gritos contra Vejjajiva e seu Governo, que organizaram o evento durante muitos meses.

Antes, os manifestantes conseguiram forçar o cancelamento da reunião que os ministros de Assuntos Exteriores da China, Coreia do Sul e Japão pretendiam manter em outro hotel da cidade para abordar a crise causada pela Coreia do Norte após o recente lançamento de um foguete.

O cancelamento da cúpula, além de uma humilhação para o Governo de Vejjajiva, foi outra demonstração da profunda divisão existente na Tailândia desde o levante que tirou do poder Shinawatra, que está no exílio e foi condenado à revelia a dois anos de prisão por crime de corrupção.

O Governo da Tailândia, que ocupa a Presidência rotativa da Asean, afirmou que tentará realizar novamente a reunião com China, Coreia do Sul, Japão, Austrália, Nova Zelândia e Índia em agosto.

Durante a reunião em Pattaya, a Asean tinha previsto assinar tratados de livre-comércio com a China e a Índia, os dois maiores mercados do mundo.

Os manifestantes, que na quarta-feira passada reuniram 100 mil pessoas em Bangcoc, mantêm bloqueados há três semanas todos os acessos à sede do Governo na capital tailandesa.

No final do ano passado, críticos de Shinawatra ocuparam a sede governamental durante quatro meses e bloquearam os dois aeroportos de Bangcoc por uma semana.

Os protestos chegaram ao fim quando o Tribunal Constitucional dissolveu o Governo formado por aliados de Shinawatra, e propiciou, assim, a escolha do Vejjajiva como primeiro-ministro no Parlamento, graças ao apoio de políticos "infiéis". EFE grc/an

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