As manifestações de domingo no Irã, que deixaram oito mortos, fazem parte de um roteiro escrito por sionistas e americanos, declarou nesta terça-feira o presidente Mahmud Ahamdinejad citado pela agência oficial Irna.

"Estas manifestações seguem um roteiro escrito por sionistas e americanos. É ume espetáculo que dá ânsia de vômito, mas tanto os que o planejaram, como os que participaram se enganam", afirmou o presidente falando pela primeira vez sobre os protestos, os mais importantes desde as manifestações de junho.

O Irã intensificou nesta terça-feira a prisão de opositores, mas introduziu uma distinção entre os "contrarrevolucionários" e a oposição reformadora, marcando uma ruptura no discurso do regime.

O presidente do Parlamento, Ali Larijani, afirmou nesta terça-feira que é favorável a "pena máxima" para os "contrarrevolucionários" que protestaram no domingo no Irã, mas destacou que é preciso diferenciá-los da oposição reformista dentro do regime.

Em um discurso no Parlamento, Larijani fez uma nova advertência aos dirigentes da oposição ao presidente Mahmud Ahmadinejad, mas não pediu que sejam julgados como fizeram na segunda-feira várias personalidades ligadas ao governo.

"O Parlamento quer que os serviços secretos e as autoridades judiciais prendam as pessoas que insultam a religião e que imponham a pena máxima, em particular aos que destruíram bens públicos", disse, sem explicar o que considera "pena máxima".

Mas Larijani afirmou ainda que o Parlamento "estabelece uma distinção entre os movimentos políticos que representam a esquerda dentro do regime e os contrarrevolucionários".

Vários altos dirigentes haviam exigido punições exemplares contra os lideres da oposição.

O aiatolá conservador Ahmed Khatami, imã da oração de sexta-feira em Teerã, também pediu à justiça que "deixe de dar prova de tolerância aos líderes da conspiração", em uma referência implícita aos líderes da oposição, em particular o ex-premier Mir Hussein Mousavi.

Paralelamente, as autoridades procederam a novas detenções de opositores, como jornalistas e militantes dos direitos humanos.

A advogada iraniana Shirin Ebadi, prêmio Nobel da Paz em 2003, anunciou a detenção de sua irmã, Nushin Ebadi, e afirmou que a medida é uma tentativa de pressioná-la, em um comunicado divulgado nesta terça-feira no site Rahesabz.net

"Minha irmã não tinha nenhuma atividade política. Sua detenção é uma tentativa de pressão para que eu interrompa minhas atividades de defesa dos direitos humanos", afirma Ebadi no texto.

A polícia também deteve a militantes pelos direitos das mulheres Mansureh Shojaie, assim como Chapur Kazemi, cunhado de um dos líderes da oposição, Mir Hossein Musavi.

Pelo menos oito pessoas morreram, incluindo um sobrinho do líder da oposição Mir Hossein Mousavi, e outras ficaram feridas no domingo, em Teerã. em confrontos entre milhares de opositores ao presidente Mahmud Ahmadinejad e as forças de segurança.

Depois da polícia negar as mortes, o canal de televisão iraniano estatal confirmou em seu site que os confrontos deste domingo deixaram vários mortos e feridos dos dois lados.

Os opositores se dirigiram à avenida Enghelab, apesar da grande presença de policiais na área, que no sábado já havia sido cenário de protestos contra o governo.

A polícia usou gás lacrimogêneo e agrediu os manifestantes, que responderam colocando fogo em latas de lixo.

Os confrontos foram particularmente violentos na praça Enghelab, para onde muitas pessoas seguiram após a ação policial.

Ao mesmo tempo, partidários de Ahmadinejad organizaram uma contramanifestação em outra área da avenida Enghelab.

A oposição, que não aceita a reeleição de Ahmadinejad, por considerá-la fraudulenta, convocou as manifestações para este domingo no centro de Teerã à margem das procissões previstas pela Ashura, dia de luto xiita que lembra a morte de Hussein - neto de Maomé -, durante a batalha de Kerbala (atual Iraque) contra as tropas do califa Yazid no ano 680.

A violência deste domingo é mais uma consequência do clima de grande tensão política após a morte, semana passada, do grande aiatolá dissidente Ali Montazeri.

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