Autoridades culparam ativistas por realizar manifestações que não tinham autorização do governo para acontecer

O governo chileno afirmou nesta sexta-feira que 552 pessoas foram detidas nos protestos estudantis de quinta-feira e que 29 carabineiros (policiais) ficaram feridos nos incidentes. Autoridades culparam manifestantes, por realizar protestos que não possuíam autorização do governo para acontecer.

O subsecretário do Interior Rodrigo Ubilla disse à imprensa que alguns policiais feridos continuavam hospitalizados até a manhã desta sexta-feira. O subsecretário não mencionou civis feridos, mas emissoras de rádio informaram que durante a noite mais de dez jovens foram atendidos em centros de emergência.

Policiais patrulham ruas perto do Palácio La Moneda, em Santiago
AFP
Policiais patrulham ruas perto do Palácio La Moneda, em Santiago
Com o apoio do Colégio de Professores, estudantes do ensino médio e superior desafiaram uma proibição governamental de protestar no centro de Santiago e saíram às ruas para pedir melhorias no sistema educacional. Os jovens realizaram duas passeatas contra uma proposta de 21 pontos que o governo apresentou no início da semana na busca de uma solução para o conflito.

Segundo autoridades, os incidentes mais violentos se produziram durante a noite, quando homens encapuzados incendiaram estabelecimentos comerciais. O governo diz que os responsáveis pela violência são aqueles que convocaram manifestações que não estavam autorizadas, como o presidente do Colégio de Professores, Jaime Gajardo, e a presidente da Federação de Estudantes da Universidad de Chile, Camila Vallejo.

"Eles têm de se dar conta de que devem cumprir certos requisitos. Nunca estivemos fechados a autorizar mobilizações", assegurou Ubilla.

A jornada de protestos, que atingiu 12 cidades, ocorreu três dias depois que o Ministério da Educação apresentou nova proposta para tentar atender às exigências dos estudantes, que completaram mais de dois meses de manifestações.

De acordo com a Rádio Cooperativa, a polícia passou a reprimir também os "panelaços", registrados principalmente no centro de Santiago e em bairros de classe média alta da capital, como Providencia.

Pacote

Recentemente, o presidente Sebastián Piñera anunciou, em rede nacional de televisão, um pacote de medidas para o setor.

Os protestos, no entanto, tiveram continuidade com greve de fome realizada por ao menos 40 alunos e ocupação de prédios como escolas em mau estado de conservação e a emissora de televisão estatal Chilevisión.

O presidente chileno enfrenta um dos mais baixos níveis de popularidade desde que chegou ao poder, em 2010. Na quinta-feira, uma pesquisa de opinião indicou que a popularidade de Piñera é de 26%, segundo o Centro de Estudos Públicos.

*Com EFE e BBC

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