Protestos em Teerã terminam com vários mortos e feridos

Várias pessoas morreram, incluindo um sobrinho do líder da oposição Mir Hossein Mousavi, e outras ficaram feridas neste domingo em Teerã em confrontos entre milhares de opositores ao presidente Mahmud Ahmadinejad e as forças de segurança.

AFP |

O site de oposição Rahesabz informou a morte de pelo menos quatro pessoas nos confrontos.

Três vítimas faleceram em consequência de tiros diretos das foças militares perto da ponte do colégio sobre a avenida Enghelab, a grande via que cruza Teerã de leste a oeste e onde as manifestações se concentraram neste domingo, destaca a página virtual.

Um quarto manifestante morreu no cruzamento da avenida Enghelab com a avenida Vali-asr, no eixo norte-sul da capital. O site não precisa as circunstâncias da morte.

Além disso, de acordo com o portal na internet dos parlamentares opositores ao presidente Ahmadinejad, o Parlemannews.ir, um sobrinho do líder da oposição Mir Hossein Mousavi morreu nos distúrbios.

"Seyed Ali Mousavi, sobrinho de 35 anos de Mir Hossein Mousavi, foi atingido ao meio-dia por um tiro no peito na Praça Enghelab (centro de Teerã) e morreu depois de ser levado para o hospital Ibn Sina", afirma o site.

"Mousavi, os pais deste mártir do movimento verde, e várias personalidades políticas foram para o hospital", acrescenta o portal dos parlamentares de oposição, em uma referência à cor que simboliza os partidários do ex-candidato à presidência.

Depois da polícia negar as mortes na parte da manhã, o canal de televisão iraniano estatal confirmou em seu site que os confrontos deste domingo deixaram vários mortos e feridos dos dois lados.

"Enquanto os manifestantes aumentavam a provocação e destruição, os fiéis ao imã Hussein enfrentaram eles e aconteceram confrontos entre os dois grupos em alguns lugares da cidade", afirma o site.

"Nos enfrentamentos, várias pessoas dos dois lados morreram e várias ficaram feridas", completa o texto publicado no site, que não divulga um balanço preciso de vítimas.

O governo da França condenou as "detenções arbitrárias e a violência contra simples manifestantes" em Teerã.

O centro de Teerã foi cenário neste domingo de violentos enfrentamentos entre milhares de manifestantes hostis ao presidente Ahmadinejad e as forças de segurança.

Os opositores se dirigiram à avenida Enghelab, apesar da grande presença de policiais na área, que no sábado já havia sido cenário de protestos contra o governo.

A polícia usou gás lacrimogêneo e agrediu os manifestantes, que responderam colocando fogo em latas de lixo.

Os confrontos foram particularmente violentos na praça Enghelab, para onde muitas pessoas seguiram após a ação policial.

Ao mesmo tempo, partidários de de Ahmadinejad organizaram uma contra-manifestação em outra área da avenida Enghelab.

A oposição, que não aceita a reeleição de Ahmadinejad, por considerá-la fraudulenta, convocou as manifestações para este domingo no centro de Teerã à margem das procissões previstas pela Ashura, dia de luto xiita que lembra a morte de Hussein - neto de Maomé -, durante a batalha de Kerbala (atual Iraque) contra as tropas do califa Yazid no ano 680.

Testemunhas afirmaram que várias viaturas da polícia foram incendiados pelos manifestantes, que gritavam "morte ao ditador", como a oposição passou a chamar o presidente Ahmadinejad desde a reeleição.

Nenhum balanço oficial de vítimas ou pessoas detidas foi divulgado. No início da tarde, a calma começou a retornar à avenida, ocupada por milhares de policiais.

Também foram registrados confrontos em cidades como Isfahan e Najafabad (centro), Shiraz (sul) e Babol (norte), segundo o site Rahesabz.

O sábado também foi marcado por manifestações, menos violentas e menos numerosas, em Teerã.

A violência deste domingo é mais uma consequência do clima de grande tensão política após a morte, semana passada, do grande aiatolá dissidente Ali Montazeri.

bur-lma/fp

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