Protestos e renúncias marcam evolução política da Bolívia

La Paz, 3 mai (EFE).- A primeira transmissão de poderes entre presidentes eleitos democraticamente na Bolívia aconteceu em 1985, quando Víctor Paz Estenssoro recebeu de Hernán Siles Zuazo a Chefia de Estado e iniciou a erradicação dos cultivos de coca e a liberalização econômica.

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Paz Estenssoro foi sucedido por Jaime Paz Zamora (1989), Gonzalo Sánchez de Lozada (1993) e o ex-general Hugo Banzer (1997).

Todas as iniciativas para o desenvolvimento do país criadas por estes governantes foram frustradas quando, em abril de 2000, a Bolívia viveu uma aguda crise social com diversas manifestações que, em setembro, provocaram enfrentamentos e deixaram vários mortos.

Por exigências do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial se chegou ao Diálogo Nacional, do qual participaram representantes da sociedade civil e do Executivo, e no qual se pactuou um programa para lutar contra a pobreza.

O novo presidente, Jorge Quiroga, que chegou ao poder depois de Banzer adoecer, assumiu um projeto para exportar gás natural ao México e Estados Unidos e continuou com a erradicação dos cultivos de coca. Mas os protestos sociais voltaram em maio de 2002, desta vez protagonizados pelos grupos indígenas.

No dia 30 de junho de 2002 aconteceu um pleito geral no qual o partido mais votado foi o Movimento Nacionalista Revolucionário (MNR), do ex-presidente Sánchez de Lozada, com 22,46% dos votos, seguido pelo Movimento ao Socialismo (MAS), de Evo Morales, com 20,94%.

Como nenhuma das legendas obteve a maioria absoluta, a designação presidencial ficou nas mãos do Congresso, que em agosto de 2002 nomeou Sánchez de Lozada.

O novo presidente enfrentou a uma dura oposição política e sindical com constantes protestos sociais que, em fevereiro de 2003, terminaram com 31 mortos e mais de 200 feridos.

Outros protestos que ocorreram em seguida obrigaram Sánchez de Lozada a renunciar em outubro de 2003. Ele foi substituído pelo então vice-presidente, Carlos Mesa, que dois dias depois nomeou um Governo de transição sem representação dos partidos políticos, o primeiro com estas características.

Apesar da adoção de um plano econômico de austeridade, o país sofreu com uma nova onda de protestos entre janeiro e março de 2005.

Uma das manifestações mais fortes foi promovida pelo MAS e por vários sindicatos camponeses que reivindicavam a inclusão na nova lei de hidrocarbonetos de uma regalia (preço que as empresas pagam diretamente ao Estado por explorar recursos naturais) de 50% para todas as companhias petrolíferas.

Em meio a esta situação, em 7 de março de 2005 Carlos Mesa apresentou sua renúncia ao Congresso, que a rejeitou um dia depois.

Em meados de maio ocorreu outra onda de violentas manifestações que desembocou na renúncia de Mesa e na nomeação do até então presidente da Corte Suprema, Eduardo Rodríguez Veltzé, que assumiu a Presidência em 9 de junho e convocou eleições para renovar o Executivo e o Legislativo.

Estas eleições aconteceram no dia 18 de dezembro de 2005, e terminaram com uma ampla vitória de Evo Morales, à frente do MAS.

Morales assumiu a Presidência em 22 de janeiro de 2006, e no dia seguinte nomeou um Governo formado por intelectuais de esquerda, mulheres, mineradores, camponeses, sindicalistas e indígenas.

Durante seu Governo, nacionalizou os hidrocarbonetos e impulsionou uma reforma agrária, aliou-se a Cuba e à Venezuela contra os Estados Unidos e tentou infrutiferamente fazer com que a comunidade internacional "absolvesse" a folha de coca.

Em julho de 2006 aconteceram eleições à Assembléia Constituinte, nas quais o MAS obteve a maioria dos votos.

Esta Assembléia foi instalada em Sucre, em agosto de 2006, com a missão de redigir uma nova Carta Magna no prazo de um ano, mas depois seu mandato teve de ser ampliado a dezembro de 2007.

A aprovação pela maioria governista do projeto da nova Carta Magna em 24 de novembro do ano passado não trouxe a paz social e política ao país. A oposição rejeita o texto porque considera que foram cometidas diversas irregularidades durante a tramitação e o procedimento de voto.

Diante da crise política durante estes primeiros quatros meses de 2008, Morales procurou a mediação da Igreja Católica, da Organização dos Estados Americanos (OEA), e dos chamados "países amigos" (Brasil, Argentina e Colômbia), iniciativa que, por enquanto, não foi suficiente para iniciar um diálogo. EFE tsb/fr/mh

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