Protestos diminuem, e diálogo é antecipado na Bolívia

Por Carlos Alberto Quiroga LA PAZ (Reuters) - O presidente da Bolívia, Evo Morales, decidiu na quarta-feira antecipar o início do diálogo com a oposição regional para pacificar o país, enquanto cessava a maior parte dos violentos protestos políticos que deixaram pelo menos 15 mortos e enormes danos econômicos.

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Morales propôs que as negociações sejam instaladas na tarde de quarta-feira, e não na quinta-feira, data escolhida pelo Conselho Nacional Democrático (Conalde), que congrega governadores e líderes civis das terras baixas do leste e sul da Bolívia, contrários aos planos socialistas do governo.

'Quero convocar os prefeitos [governadores] a partir desta tarde, quero vê-los às 4 ou 5 da tarde em Cochabamba [centro]', disse Morales no palácio do governo, em La Paz, revelando o desejo de alcançar o acordo antes dos 30 dias estabelecidos no pacto preliminar firmado na noite de quarta-feira.

Ao aceitar o pacto, a oposição se resignou a perder um dos seus mais polêmicos integrantes, o governador do departamento amazônico de Pando, Leopoldo Fernández, preso desde quarta-feira em local desconhecido.

Ele é acusado de ser o mandante de um massacre de camponeses, na quinta-feira passada, que deixou 15 mortos e dezenas de feridos e desaparecidos. Foi o incidente mais grave da atual onda de protestos políticos, o que levou o governo a decretar estado de sítio em Pando.

Outras duas pessoas morreram quando o Exército recuperou à força o aeroporto de Cobija, a capital de Pando, que estava ocupado por oposicionistas, assim como todos os demais prédios públicos da região, na fronteira com Acre e Rondônia.

Não houve resposta imediata dos governadores à decisão de Morales de antecipar o diálogo. O governo afirma não haver incompatibilidade entre a reivindicação autonomista dos governadores de oposição e a aprovação de uma nova Constituição, que daria mais direitos à maioria indígena, ampliaria a participação do Estado na economia e promoveria uma reforma agrária.

(Com reportagem de Eduardo García)

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