Protestos deixam um morto e dezenas de presos no Irã

Polícia reprimiu marcha favorável a mobilizações no mundo árabe; segundo Fars, morte aconteceu por disparos de opositores

iG São Paulo |

Dezenas de manifestantes foram presos e há registro de um morto e vários feridos nesta segunda-feira na capital do Irã, Teerã, durante violentos confrontos com policiais em um protesto que havia sido proibido pelas autoridades do país.

Segundo a agência semioficial Fars, os opositores seriam os responsáveis pelos disparos que causaram a morte de um dos manifestantes. "Uma pessoa foi baleada e morreu e diversos ficaram feridos por (ação de) insurgentes (que apoiam a oposição) que se concentraram em Teerã", disse a Fars, sem dar mais detalhes.

Milhares participaram da manifestação, convocada originalmente por líderes oposicionistas para mostrar apoio aos protestos na Tunísia e no Egito , mas que se transformou numa demonstração de descontentamento contra o regime do presidente Mahmoud Ahmadinejad.

Os policiais usaram golpes de cassetete e bombas de gás lacrimogêneo para conter a multidão, que se reuniu em vários pontos da capital iraniana. As autoridades cortaram a eletricidade e bloquearam o funcionamento de telefones celulares no centro de Teerã. A BBC recebeu relatos de protestos similares em outras importantes cidades iranianas, como Isfahan, Mashhad e Shiraz.

Egito

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, expressou solidariedade com os manifestantes iranianos, afirmando que "eles merecem ter os mesmos direitos que viram ser exercidos no Egito". "Acreditamos que deve existir um compromisso para a abertura do sistema político do Irã, para que sejam ouvidas as vozes da oposição e da sociedade civil", disse.

No domingo, o Departamento de Estado dos Estados Unidos começou a escrever mensagens em farsi no site de microblogs Twitter, para dirigir-se aos iranianos e insistir na necessidade de que o Irã permita que sua população se manifeste de forma pacífica e livre, como no Egito.

No lançamento de sua nova conta no Twitter, @USAdarFarsi, os Estados Unidos evocaram "o papel histórico" que as redes sociais tiveram para os iranianos nos protestos, após as eleições presidenciais de 2009. "Queremos nos unir a vocês, às suas conversas diárias", escreveu o Departamento de Estado em uma mensagem.

Mohsen Asgari, um funcionário da BBC em Teerã que foi afetado pelo gás lacrimogêneo, descreveu o centro da capital iraniana nesta segunda-feira como um "caos total", com "confrontos graves" entre a polícia e os manifestantes, além de muitas prisões.

Apesar de o governo iraniano oficialmente apoiar os protestos no Egito , eles sustentam que as manifestações de Teerã são "ações políticas" dos líderes de oposição, justificando a proibição da realização do evento.

De acordo com o site oficial do líder de oposição Mir Hossein Mousavi, a polícia o colocou em prisão domiciliar nesta segunda-feira .

A página na internet afirma que essa medida visa a impedir que Mousavi participe do protesto. Mehdi Karroubi, outro líder oposicionista, também está sem poder sair de casa.

Guindaste

Analistas afirmam que o governo do Irã está tentando evitar que os grupos oposicionistas do país usem as manifestações do Egito como desculpa para retomar os protestos contra o governo, que ocorreram em peso em 2009 contra a então reeleição de Ahmadinejad.

O jornalista da BBC conta que, em um gesto surpreendente, um homem escalou um guindaste no centro de Teerã e começou a chamar as pessoas para a manifestação desta segunda-feira. O homem tentou se matar se as autoridades tentassem se aproximar, mas depois foi preso pela polícia, segundo Asgari.

Também na manhã desta segunda-feira, furgões da polícia iraniana bloquearam o caminho que leva à casa de Mousavi, e seus telefones celular e fixo foram desconectados, segundo seu site Kaleme.com. Na semana passada, quase uma dezena de pessoas próximas a Mousavi foram detidas.

*Com BBC, AFP e Reuters

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