Protestos defendem e criticam imprensa na Venezuela

Caracas, 27 jun (EFE).- Apoiadores e opositores ao Governo da Venezuela protestaram hoje pacificamente em Caracas contra o terrorismo midiático, no caso dos primeiros, e a favor da defesa das liberdades de expressão e informação, de acordo com os últimos.

EFE |

As mobilizações ocorreram em diferentes regiões da capital venezuelana como parte das atividades para celebrar o Dia Nacional do Jornalista.

As manifestações ocorrem em meio ao aumento da já prolongada polêmica sobre o papel dos veículos de imprensa privados e públicos na Venezuela durante o Governo do presidente do país, Hugo Chávez.

Nela se incluem as reiteradas ameaças presidenciais contra a rede privada de televisão "Globovisión", cujo destino pode ser o mesmo da também opositora "RCTV", que perdeu sua concessão de transmissão aberta em maio de 2007 depois de o Executivo não renovar a permissão alegando o caráter "golpista" do veículo.

Nos últimos quatro meses, a Conatel, entidade reguladora das telecomunicações na Venezuela, abriu quatro processos relacionados à "Globovisión". Pelo menos dois deles podem levar à perda da permissão de transmissão, que é concedida pelo Estado.

Vestidos de vermelho, a cor da revolução bolivariana, milhares de partidários do Governo responderam ao chamado do grupo de comunicadores socialistas e do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), fundado por Chávez, para expressar nas ruas seu repúdio ao "terrorismo" exercido pela imprensa privada, segundo eles.

Portando cartazes com frases como "Morte à tirania midiática", os manifestantes percorreram parte do oeste de Caracas, até chegar à sede da Assembleia Nacional, de grande maioria governista.

Ali, entregaram um documento no qual pediram um "debate" para reformar as leis que regem as áreas das telecomunicações e da imprensa, o que foi garantido pela presidente da Assembleia, Cilia Flores.

"Somos os jornalistas que estamos com o povo, com a justiça" disse o líder da organização Jornalistas pela Verdade, Marcos Hernández, ao sustentar que a imprensa privada divulga mentiras em detrimento do "chavismo".

A manifestação governista fez paradas nas sedes do Ministério da Informação e da Procuradoria. Nesta última, entregaram outro documento para exigir uma atuação contra o "terrorismo" da imprensa privada mediante a "instigação ao magnicídio e à violência".

O governador do estado venezuelano de Guárico e ex-ministro da Informação, William Lara, pediu ao Governo do país para que, "de uma vez por todas, tome a decisão de tirar a concessão" da "Globovisión", porque o canal "prejudica a família venezuelana".

"Não nos calarão", por outro lado, era uma das frases nos cartazes levantados na passeata em defesa das liberdades de expressão e informação convocada pelo Colégio Nacional de Jornalistas (CNP, em espanhol) e pelo Sindicato Nacional de Trabalhadores da Imprensa (SNTP, em espanhol).

A manifestação começou depois de o presidente do CNP, William Echeverría, ter denunciado uma suposta "sabotagem" governamental pelo fechamento temporário de uma saída do metrô que desembocava no ponto de concentração do protesto e terminou sem incidentes.

No final da passeata, em frente à sede do CNP, jornalistas de veículos de imprensa privados leram um texto no qual novamente condenaram "atropelos" oficiais como o fim da concessão da "RCTV", assim como a "nociva campanha contra a 'Globovisión' para justificar seu fechamento".

Houve críticas também ao difícil acesso às fontes oficiais por parte dos jornalistas que trabalham em veículos privados, e ao "uso da imprensa estatal como caixa de ressonância" do partido de Governo.

"Os espaços para a dissidência começam a desaparecer", reafirmou Echeverría, ao assegurar que "não calarão os jornalistas independentes" que informam sobre os supostos abusos de poder do Executivo venezuelano. EFE gf/bba

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