Protestos de fazendeiros aumentam tensão agrária no Paraguai

Assunção, 15 dez (EFE).- As patronais agropecuárias do Paraguai tiraram hoje seus tratores da beira das estradas em um dia de protestos conhecidos como tratoraço, para exigir o fim das invasões de fazendas por parte de grupos sem-terra.

EFE |

"Pedimos segurança e trabalho para todos, e a necessidade de construir um Paraguai em paz, moderno e sem enfrentamentos e violência", disse à Agência Efe Héctor Cristaldo, presidente da União de Grêmios da Produção (UGP), que engloba os organismos que coordenam a mobilização.

O protesto, que não inclui bloqueios de estradas, acontece em 13 departamentos (estados) e agrupa milhares de pequenos e grandes produtores, principalmente de soja, que tinham convocado em anos anteriores manifestações similares.

"A única coisa que as pessoas querem é trabalhar", destacou Cristaldo, enquanto Agustín Konrad, outro representante do setor, frisou que o protesto procura "dar um sinal aos três poderes do Estado para que façam seu trabalho".

Os principais pontos de concentração dos manifestantes estão nos departamentos de Alto Paraná, ao leste de Assunção e na fronteira com o Brasil, e de Itapúa, no sul e fronteiriço com a Argentina. As duas são as regiões agrícolas mais prósperas do país.

O protesto é organizado, além disso, pela Coordenadora Agrícola do Paraguai (CAP), a Associação de Produtores de Soja (APS) e a Associação Rural do Paraguai (ARP), entre outros, e terminará na terça-feira com a retirada das maquinarias.

Essas organizações repudiam as constantes ameaças de invasões de fazendas por parte de sem-terra, que permanecem acampados há vários meses diante das granjas das regiões agrícolas, principalmente de produtores brasileiros, protestando contra o cultivo mecanizado da soja e exigindo uma reforma agrária.

Nesse sentido, o presidente da ARP, Néstor Núñez, disse que não se chegará a uma mudança no país "caso se fomente a luta de classes e a xenofobia", em alusão aos produtores estrangeiros que, segundo os sem-terra, foram beneficiados pelas autoridades de Governos anteriores com a aquisição ou arrendamentos de terras de maneira ilegal.

"Nunca tivemos privilégios, nunca tivemos perdão, subsídios.

Pedimos às autoridades uma mudança em paz sem bloquear estradas, sem bandeiras", destacou Núñez.

Por sua parte, Claudia Ruser, dirigente da APS, destacou que "não é uma passeata contra a gestão do presidente" Fernando Lugo, cuja chegada à Presidência, em 15 de agosto passado, representou o fim de 61 anos ininterruptos do Partido Colorado no Governo.

Em contrapartida, Luis Aguayo, da Mesa Coordenadora Nacional de Organizações Camponesas (MCNOC), um dos agrupamentos de lavradores que reivindica as ocupações, criticou o lema de "segurança e trabalho" da mobilização dos agropecuários.

Aguayo assegurou à imprensa que o setor não pode falar de segurança e o acusou de não respeitar os direitos e a segurança meio ambiental e de manter técnicas de fumigação que danificam as povoações camponesas.

Ele considerou, além disso, que os organizadores do tratoraço se contradizem ao exigir trabalho, já que, segundo o dirigente da MCNOC, os cultivos mecanizados da soja, assim como a pecuária, são os setores produtivos de menor geração de empregos no país.

A medida de força do setor agropecuário começou poucas horas antes que Lugo viajasse ao Brasil, onde permanecerá até a próxima quarta-feira para participar das cúpulas de líderes do Mercado Comum do Sul (Mercosul), da América Latina e o Caribe (Calc) e da União de Nações Sul-americanas (Unasul). EFE rg/rr

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