Protestos de estudantes deixam mais de 270 detidos no Chile

Ao menos 39 ficaram feridos em manifestação com milhares na capital Santiago; em Buenos Aires, estudantes chilenos e argentinos também protestaram

iG São Paulo |

O protesto dos estudantes realizado na terça-feira no Chile, com violentos distúrbios e um forte "panelaço" noturno, deixou ao menos 273 detidos, sendo 72 na capital Santiago, segundo o jornal chileno El Mercúrio. De acordo com balanço divulgado pelo governo, ao menos 39 pessoas ficaram feridas.

Depois da manifestação que reuniu entre 60 mil e 100 mil, na noite de terça-feira milhares se reuniram para um "panelaço" em Santiago, onde alguns manifestantes montaram barricadas nas ruas, para apoiar o protesto estudantil que exigiu melhores condições no ensino público no Chile.

O panelaço é o segundo realizado em menos de uma semana e evoca um tipo de protesto típico contra o governo do general Augusto Pinochet (1973-1990) durante a ditadura militar.

A população foi às varandas e janelas de Santiago para bater panelas, atendendo ao apelo dos líderes estudantis chilenos, que há dois meses protestam para pedir o fortalecimento do ensino público no país. "Escutamos panelas por todas as partes, tomara que o presidente escute e atenda nossas reivindicações", disse no Twitter Camila Vallejo, presidente da Federação de Estudantes da Universidade do Chile.

Em alguns bairros de Santiago, como Plaza Nuñoa, centenas de pessoas foram às ruas e manifestantes levantaram barricadas em vários pontos do centro e da periferia da capital.

Argentina

Na Argentina, estudantes chilenos que vivem em Buenos Aires saíram às ruas da capital portenha em apoio ao protesto de seus compatriotas e pediram mudanças no sistema educacional chileno.

Centenas de jovens, autodenominados "estudantes chilenos exilados pela educação de mercado", marcharam do Obelisco até a sede do consulado chileno, aos gritos de "e vai cair, e vai cair, a educação de Pinochet", em referência ao modelo implantado durante o governo militar de Pinochet. Nas universidades estatais de La Plata e Buenos Aires estudam cerca de 60 chilenos. que, segundo eles, tiveram de se mudar de país diante da impossibilidade de pagar o elevado custo do ensino no Chile.

Mobilizados há dois meses e acompanhando de perto os desdobramentos do movimento que pede educação gratuita e de qualidade, os chilenos contaram com o apoio de estudantes da Federação Universitária de Buenos Aires e da Coordenação Unificada de Estudantes Secundaristas.

Sem nova proposta

Nesta quarta-feira, o governo chileno descartou apresentar novas propostas de reforma educacional aos estudantes e convidou-os a dialogar sobre as 21 medidas que apresentou na semana passada. “Não há nova proposta porque acreditamos que a oferta da última segunda-feira inclui todos os temas", defendeu o porta-voz do Palácio La Moneda, Andrés Chadwick, em alusão ao plano apresentado pelo ministro da Educação, Felipe Bulnes, rejeitado pelos diretórios estudantis.

As agremiações consideraram insuficientes pontos como garantia constitucional da qualidade e gratuidade da educação pública, proibição do lucro das universidades privadas e devolução
ao Estado da administração do sistema de ensino. As organizações estudantis assinalaram ainda que se não receberem uma resposta adequada às demandas manterão as mobilizações, apesar do risco de perderem o ano letivo.

AFP
Estudantes chilenos e argentinos em manifestação em Buenos Aires (9/8)

*Com AFP, EFE e Ansa

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