Protestos contra Governo tailandês deixam 1 morto e 96 feridos em Bangcoc

(atualiza com um morto e mais dois feridos). Gaspar Ruiz Canela. Bangcoc, 13 abr (EFE).- As tropas tailandesas entraram em confronto hoje, um dia depois da entrada em vigor do estado de exceção na região de Bangcoc, com manifestantes que protestam contra o Governo em vários pontos da capital, onde uma pessoa morreu e pelo menos 96 pessoas ficaram feridas.

EFE |

A morte de um civil de 50 anos de idade ocorreu quando vários manifestantes atiraram com pistolas contra moradores do bairro de Nang Lergn, próximo à sede de Governo, que criticavam os protestos, disse o ministro adjunto à chefia do Governo, Sathit Wongnongtoey, ao "Canal 11" de televisão.

Ao longo do dia, os soldados dispararam suas metralhadoras em repetidas ocasiões para dispersar os grupos de manifestantes que reapareciam em várias zonas da capital.

Os opositores saíram às ruas sob o incentivo da recente declaração do ex-primeiro-ministro tailandês Thaksin Shinawatra, que na noite anterior, falando de seu exílio, convocou seus defensores a fazerem uma revolução.

O Governo da Tailândia anunciou ter adotado medidas destinadas a garantir seu controle sobre portos e aeroportos para impedir a repetição do que aconteceu no final do ano passado, quando milhares de opositores a Shinawatra ocuparam os dois terminais aeroportuários de Bangcoc durante uma semana.

"O Comando de Operações de Emergência utilizará todos os meios disponíveis para restabelecer rapidamente a ordem e reabrir o tráfego para que a população possa retomar suas vidas", disse o chefe das Forças Armadas tailandesas, Songkitti Jaggabatara, após reunião urgente com altos comandantes militares e policiais.

Enviados da fronteira com o Camboja e portando armas de fogo, segundo o porta-voz do Exército, coronel Sansen Kaewkamnerd, os soldados foram lentamente assumindo o controle da situação.

"As tropas e a Polícia conseguiram varrer os manifestantes de muitas áreas da cidade", disse a jornalistas o porta-voz do Governo tailandês, Panithan Wattayanakorn.

Em um confronto ocorrido na parte nova de Bangkok, os "camisas vermelhas", chamados assim pela cor de suas roupas, jogaram coquetéis molotov contra os militares quando estes efetuaram disparos e lançaram gás lacrimogêneo contra a multidão.

Pelo menos dois ônibus foram incendiados durante os protestos e muitos outros foram usados pelos manifestantes para bloquear as ruas, transportar seus correligionários ou mesmo como arma contra os pelotões de soldados.

Enquanto isso, quase dez mil partidários de Shinawatra, deposto no golpe de Estado perpetrado pelos militares em 2006, continuavam se abrigando em trincheiras de pneus e cercas metálicas em várias ruas próximas à sede do Governo tailandês, e atacavam com bombas o quartel general do Exército do país.

Os confrontos começaram antes do amanhecer, a certa distância do epicentro do protesto situado ao lado do Palácio do Governo, quando as tropas enfrentaram milhares de ativistas que bloqueavam desde a sexta-feira uma das principais artérias viárias de Bangcoc.

O porta-voz do Exército explicou que, antes de as tropas entrarem em confronto com os manifestantes, os oficiais tentaram negociar com os líderes dos protestos, mas a resposta que receberam foi um ônibus jogado contra os soldados.

Perto do meio-dia (horário local), em um breve discurso transmitido pelos canais estatais de televisão, o primeiro-ministro tailandês, Abhisit Vejjajiva, pediu aos manifestantes para que deixassem as ruas de Bangcoc e pediu a cooperação da população para restabelecer a ordem na capital.

Em seu discurso, Vejjajiva assinalou que 23 militares estão entre os feridos, quatro deles por tiros recebidos durante os confrontos ocorridos no mesmo dia em que a população da Tailândia começava a celebrar as festividades do Sognkran, o Ano Novo tradicional.

Em declarações ao canal de televisão "CNN" a partir de Dubai, Shinawatra acusou o Governo tailandês de esconder as mortes causadas pelos soldados.

O ex-chefe de Governo assegurou que as tropas utilizaram armas de fogo contra os manifestantes.

O primeiro-ministro tailandês decretou estado de exceção em Bangcoc e em cinco províncias vizinhas à capital no domingo, um dia depois de cancelar a realização da cúpula anual da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean).

A sede do encontro foi tomada pelos "camisas vermelhas", que exigiam a renúncia do Executivo tailandês e a dissolução do Parlamento do país. EFE grc/bba

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