Protestos contra Governo tailandês deixam 1 morto e 162 feridos

Bangcoc, 7 out (EFE).- Uma pessoa morreu hoje e outras 162 ficaram feridas em confrontos entre manifestantes e agentes de segurança em frente ao Parlamento da Tailândia.

EFE |

Os distúrbios agravam a crise política no país.

Segundo a necropsia, a vítima fatal tinha 40 anos e morreu com a explosão inesperada de um explosivo que carregava no bolso,.

Ele estava em um veículo 4x4 branco junto à sede do partido Nação Tailandesa, o segundo maior da coalizão governista, a cerca de 30 metros de onde ocorriam os protestos.

Durante os confrontos, a Polícia Metropolitana de Bangcoc lançou quatro bombas de gás lacrimogêneo contra os simpatizantes da Aliança do Povo para a Democracia (APD), que cercam a sede do Parlamento e chegaram a sair do local, mas retornaram logo depois.

Diversos manifestantes voltaram protegidos com capacetes de motos e escudos. Alguns estavam armados com pedaços de madeira, tacos de beisebol e barras de ferro.

As autoridades policiais afirmaram que cumpriram todos os procedimentos em relação a esse tipo de manifestações e que só empregaram bombas de fumaça.

Médicos que atenderam as vítimas contaram, entratanto, que alguns ferimentos foram produtos de explosões capazes de rasgar tecidos e quebrar ossos.

"A julgar pelos ferimentos das vítimas que tratamos na sala de operações, achamos que os ferimentos não procedem do gás lacrimogêneo", declarou o diretor do Hospital Vachira, Wanchai Charoenchokthavee, à rádio tailandesa.

Fontes deste hospital, para onde foi levada a maioria dos feridos, disseram que dois manifestantes perderam uma perna cada um.

Segundo testemunhas, os agentes lançaram explosivos contra os manifestantes, enquanto um policial ficou ferido na cabeça após ser atingido por uma barra de ferro.

Outros três policiais foram feridos de raspão por tiros, disparados por pessoas ainda não identificadas.

Dez agentes também foram encaminhados para o hospital após serem atropelados por um veículo conduzido por membros do APD.

O primeiro-ministro da Tailândia, Somchai Wongsawat, descartou declarar estado de exceção em Bangcoc e afirmou que está trabalhando para restabelecer a paz no país.

No entanto, o Governo ordenou que o Exército colabore com a Polícia para controlar os membros da APD, que cercam o Parlamento desde 26 de agosto e disseram que não deixarão o local enquanto o Partido do Poder do Povo (PPP) governar.

A APD considera o PPP, fundado em 2007 e vencedor das eleições de 23 de dezembro, um instrumento do ex-primeiro-ministro tailandês Thaksin Shinawatra, derrubado em um golpe militar em 2006.

Wongsawat é casado com a irmã mais nova de Shinawatra.

Ele assumiu a Chefia de Governo em setembro, depois que seu antecessor, Samak Sundaravej, foi inabilitado em 9 de setembro por ter violado a Constituição.

Sundaravej, enquanto estava no cargo, já havia declarado estado de exceção em Bangcoc, em 2 de setembro.

O estado de exceção foi suspenso 12 dias depois, quando o ex-primeiro-ministro precisou deixar o cargo, mas a medida não serviu para retirar a APD do Palácio do Governo.

O vice-primeiro-ministro tailandês, Chavalit Yongchaiyudh, apresentou hoje sua renúncia ao assumir a responsabilidade da primeira ação policial, que deixou 71 pessoas feridas.

A APD, em que dois dos nove líderes foram detidos no final de semana acusados de insurreição, conspiração e outras acusações, tentou interromper a reunião do Parlamento e os procedimentos para emendar a Constituição de 2007.

Entretanto, a sessão acabou sendo realizada com o boicote dos opositores do Partido Democrata e durou menos de duas horas. EFE tai/wr

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