Protestos contra desemprego e confrontos deixam mortos na Tunísia

Ao menos 35 morreram nos últimos três dias; governo fechou escolas e universidades devido a manifestações

iG São Paulo |

Ao menos 35 pessoas morreram em violentos confrontos nos últimos três dias, de acordo com a Federação Internacional das Associações de Direitos Humanos, com sede em Paris.

O número ultrapassa o divulgado pelas autoridades, que falam em 21 mortos durante as manifestações contra desemprego em Kaserin, no centro do país. Outras fontes, no entanto, falam em ao menos 50 mortos nos três dias de confronto.

Reuters
Em Sidi Bouzid, na Tunísia, manifestações contra o desemprego no país
Em pronunciamento nesta terça-feira, o minsitro da Comunicação, Samir Laabidi, anunciou o número oficial de 21 mortes. "Os que falaram de 40 ou 50 mortos devem apresentar a lista de nomes", disse o ministro, anunciando prejuízos materiais "consideráveis" sem fornecer números.

"O caos impera em Kaserin depois de uma noite de violência, tiros, saques e roubos a lojas e casas por agentes da polícia civil, que depois se retiraram", declarou Sadok Mahmoudi, membro da seção regional da União Geral de Trabalhadores Tunisianos (UGTT). 

Um funcionário local, que pediu o anonimato, descreveu "uma situação de caos" em Kaserin, situada a 290 km a sul da capital Túnis, e denunciou disparos da polícia contra cortejos fúnebres. 

Os funcionários do hospital da cidade fizeram greve durante uma hora para protestar contra as mortes. 

Escolas

Na segunda-feira, o governo tunisiano anunciou o fechamento de escolas e universidades em todo o país, afetado por distúrbios e protestos contra a escassez de gêneros alimentícios e o desemprego desde meados de dezembro.

Diante das manifestações, o presidente da Tunísia, Zine El Abidine Ben Ali, defendeu seu governo, e prometeu criar mais postos de trabalho, prometeu criar 300 mil postos de trabalho e denunciou "atos terroristas imperdoáveis", ao se referir às mais graves manifestações em 23 anos.

Os distúrbios começaram no dia 17 de dezembro, depois de um jovem comerciante ter colocado fogo em si mesmo, em protesto contra o embargo de sua mercadoria pela polícia, em Sidi Bouzid, a 265 km ao sul de Túnis.

*Com AFP e BBC

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