Protestos contra Berlusconi acontecem em 350 cidades italianas

Em Roma, cerca de 500 mil pessoas - muitas delas mulheres - pedem a queda do primeiro-ministro envolvido em escândalos sexuais

iG São Paulo |

Centenas de milhares de italianos - grande parte mulheres - foram neste domingo às ruas em cidades como Roma, Milão, Gênova, Turim e Palermo para defender a dignidade da mulher e expressar sua indignação pelos escândalos sexuais protagonizados pelo primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi. Segundo informações da imprensa local, os protestos aconteceram em cerca de 350 cidades italianas, além de algumas em outros países, como Espanha, França, Estados Unidos e Japão.

Cerca de 500 mil pessoas tomaram as ruas de Roma e estima-se que 1 milhão de manifestantes protestaram em todo país. Organizações feministas convocaram para este domingo a série de manifestações para protestar contra o que descrevem como a imagem "lesiva" atribuída ao público feminino pelo primeiro-ministro italiano.

A iniciativa, que pediu e contou com a participação de homens, surgiu de um movimento popular espontâneo que nasceu na web, o "Se não agora, quando?", e pretende se desvincular de qualquer tipo de ideologia política.

Os protestos foram motivados diante da repercussão internacional do caso Ruby, escândalo sexual envolvendo Berlusconi e uma menor de 17 anos. O caso se refere à garota marroquina Karima El Mahroug, conhecida como Ruby, que teria praticado serviços sexuais durante festas de Berlusconi, e o próprio premiê teria remunerado a garota por isso.


Uma das maiores concentrações ocorreu na Piazza del Popolo, em Roma, com grande participação também de homens e crianças. As manifestações também queriam chamar a atenção sobre as dificuldades da mulher italiana e reivindicar seu direito de trabalhar, ter ajuda (creches, jornadas de trabalho menores) caso queira ter filhos e fim das discriminações.

Vários eram os cartazes com frases como "Não me chamem de prostituta, sou uma escrava" e uma imensa faixa rosa pedindo "um país que respeite todas as mulheres" foi colocada no alto de um prédio.

Em Milão, apesar da chuva, milhares de pessoas criticaram a "imagem indecente" que Berlusconi projeta para a Itália. "Estamos aqui para dizer que as mulheres na Itália não são como as prostitutas de Berlusconi. É uma imagem horrível, somos a piada do mundo", afirmou Maria Rosa Veritta, uma dona de casa de 60 anos que vive em Arcore, perto de Milão, onde se encontra a residência de Berlusconi, palco de festinhas com dezenas de mulheres. Palermo foi o primeiro lugar a começar com as manifestações, com cerca de 10.000 manifestantes.

Política

Apesar de não haver referências a sindicatos ou grupos militantes, a maioria de direita viu essa manifestações como um ataque político. "As pessoas que se manifestam em inúmeras cidades italianas pertencem ao movimento anti-Berlusconi promovido pela esquerda", afirma Fabrizio Cicchitto, chefe dos deputados do Povo da Liberdade (PDL, de Berlusconi).

Giulia Buongiorno, uma militante de direita, ex-membro do PDL e importante dirigente do grupo Futuro e Liberdade, criado por dissidentes, disse que se manifestou "não para criticar as festas ousadas e sim pelo fato que as mesmas se convertam num sistema de seleção da classe dirigente", em referência a Nicole Minetti, uma das organizadoras das festas convertida em conselheira regional do PDL.

* Com informação da EFE e da AFP

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