Protestos contra a China mostram a capacidade de pressão do lobby pró-Tibete

As manifestações espontâneas contra Pequim, que ofuscaram a passagem da tocha olímpica por várias cidades, ilustram a crescente capacidade de pressão dos exilados tibetanos, que apostaram no apoio da sociedade civil à sua causa.

AFP |

A luta pró-Tibete conseguiu se infiltrar em diferentes níveis, em escolas, universidades, grupos de defesa dos direitos humanos e da liberdade de imprensa, assim como no coração do poder, em setores ricos e celebridades de Hollywood, como o combativo ator Richard Gere.

Mas obter o apoio de movimentos poderosos da sociedade civil, hoje em dia na linha de frente das manifestações que buscam tumultuar o trajeto da chama olímpica antes dos Jogos Olímpicos de Pequim-2008, é encarado como o maior êxito na luta contra a dominação chinesa no Tibete.

"Isso mostra o poder dos movimentos internacionais da sociedade civil, que a China não levou em conta quando se apresentou para os Jogos Olímpicos", comentou Malik Mohan, especialista do Asia-Pacific Center for Security Studies.

"O fato de que a chama olímpica tenha sido ofuscada, seja por razões de segurança, é uma vitória importante para os movimentos de protesto e uma grande humilhação para as autoridades chinesas", indicou.

Os exilados tibetanos formam uma pequena comunidade, calculada em 200.000 pessoas, principalmente no Nepal e na Índia, onde vive o Dalai Lama, chefe espiritual dos budistas tibetanos.

Mas muitos deles estão envolvidos com redes internacionais que fazem pressão por uma autonomia real e, inclusive, a independência do Tibete.

Entre estes movimentos figuram a organização "Students for Free Tibet Campaign", com sede em Nova York, que reúne estudantes e dispõe de mais de 650 seções em mais de 20 países, e o International Support Network, que dirige 250 grupos em todo o mundo.

A organização de defesa dos direitos humanos International Campaign for Tibet (ICT), com sede em Washington, mas com escritórios em Bruxelas, Amsterdã e Berlim, é vista como a força motriz da ofensiva diplomática do Dalai Lama.

"Temos sido suficientemente eficientes para atrair um apoio crescente entre o público americano, assim como no Congresso e no governo, que são todos os simpatizantes de nossa causa", afirmou Bhuchung Tsering, vice-presidente do ICT.

O Dalai Lama, por um tempo evitado pela Casa Branca e o Departamento de Estado, é hoje recebido de braços abertos nos Estados Unidos, onde, no ano passado, recebeu a medalha do Congresso, a mais alta distinção civil concedida pelo Poder Legislativo.

Apesar dos veementes protestos da China, o presidente George W. Bush participou de uma cerimônia que constituiu a primeira aparição pública de um presidente americano ao lado do Dalai Lama.

"A pressão pró-Tibete percorreu um longo caminaho. Isso não se consegue em uma noite", explicou T.Kumar, diretor do setor Ásia-Pacífico da Anistia Internacional.

A seu ver, a repressão dos manifestantes no Tibete e nas províncias vizinhas foi o que levou os exilados tibetanos a ter um papel primordial na campanha internacional que denuncia o "triste balanço" de Pequim em termos de direitos humanos.

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