Protestos continuam e Mubarak tenta manter apoio do Exército

Presidente do Egito visita centro de operações das Forças Armadas enquanto manifestantes vão às ruas pelo sexto dia consecutivo

iG São Paulo |

AFP
Soldado egípcio é carregado por manifestantes no Cairo
O presidente do Egito, Hosni Mubarak, visitou neste domingo um centro de operações do Exército, na tentativa de assegurar a lealdade das Forças Armadas em meio aos protestos antigoverno que acontecem no país desde terça-feira.

Segundo a TV estatal, Mubarak foi ao centro operacional para "acompanhar a evolução do controle da segurança". Neste domingo, manifestantes voltaram ao centro do Cairo para o sexto dia consecutivo de protestos que pedem a renúncia do presidente.

Os manifestantes voltaram à praça principal da capital egípcia, a Tahrir, depois do fim do toque de recolher. O toque de recolher foi remanejado para começar às 16h (horário local, meio-dia em Brasília) e terminar às 8h de domingo (4h em Brasília) no Cairo e nas cidades de Alexandria e Suez.

Soldados foram vistos em tanques e veículos blindados em volta da praça, mas a relação entre militares e manifestantes parece amigável. A polícia, que por diversas vezes entrou em confronto com os participantes dos protestos, são raramentes vistos nas ruas.

Os choques entre manifestantes e forças de segurança já teriam deixado cerca de cem mortos desde o início dos protestos na terça-feira. Cerca de 2 mil pessoas ficaram feridas.

Al-Jazeera

A direção da emissora de televisão árabe Al-Jazeera afirmou que autoridades egípcias ordenaram o fechamento de seus escritórios no Cairo . A rede de TV, que tem sede no Catar, faz intensa cobertura dos protestos.

Em comunicado, a direção da emissora afirmou que a decisão "tem o objetivo de sufocar e reprimir" a liberdade de imprensa. Segundo a Al-Jazeera, seus escritórios no Cairo foram interditados e todos os jornalistas tiveram suas credenciais de imprensa confiscadas.

Segundo a agência oficial Mena, a decisão foi tomada pelo ministro egípcio da Informação, Anas El Feki. A medida teria sido tomada apesar de o gabinete do governo ter renunciado no sábado, e de a nova composição dos ministérios não ter sido anunciada.

A agência não explicou o motivo da decisão, comunicando apenas que o ministro "ordenou que a Al-Jazeera na República Árabe do Egito feche as portas (...), que sejam canceladas suas autorizações e que sejam retirados os crachás de imprensa de seus funcionários a partir de hoje (domingo)".

A versão em inglês da Al-Jazeera continua transmitindo imagens do Cairo ao vivo, mas sem a presença de repórteres. O canal em árabe tranmite imagens da noite de sábado enquanto comentaristas e jornalistas discutem a legitimidade da proibição.

Um apresentador afirmou, ainda, que os correspondentes da Al-Jazeera no Cairo estão "confinados" no escritório da emissora.

Com BBC e AFP

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