Protestos aumentam dentro e fora da COP15

Ramón Santaularia. Copenhague, 16 dez (EFE).- A interrupção das negociações e um caos considerável nos arredores dos locais da Cúpula da ONU sobre a Mudança Climática (COP15), em Copenhague, deram hoje poucas esperanças de uma decisão sobre a redução da emissão de gases causadores do efeito estufa.

EFE |

Os países em desenvolvimento acusaram as nações ricas de falta de vontade para negociar um tratado que fixe o financiamento de medidas para combater a mudança climática.

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, arrancou aplausos ao responsabilizar o "capitalismo" pela mudança climática.

Chávez afirmou que os processos "injustos" da cúpula de Copenhague provocaram as críticas dos países em desenvolvimento e são um "reflexo da ditadura imperialista mundial".

O presidente da Venezuela também acusou os países ricos de "irresponsabilidade e falta de vontade política" para chegar a um acordo e disse que o "destrutivo modelo capitalista está erradicando a vida".

Os pedidos para que as 192 delegações cheguem a um acordo justo e ambicioso em Copenhague se sucederam durante o dia por meio de diferentes autoridades, como o presidente da Comissão Europeia (órgão executivo da União Europeia), José Manuel Durão Barroso.

Durão Barroso disse que "é preciso deixar para trás a retórica" e que "é menos caro proteger o planeta hoje do que consertá-lo mais tarde".

A União Europeia (UE) pediu hoje a Estados Unidos e China, os dois maiores poluidores do mundo, para que assumam mais compromissos para chegar ao objetivo da COP15 de limitar o aumento da temperatura global para dois graus centígrados até o final do século.

O presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, também aproveitou a reunião de Copenhague para questionar "onde estão as sanções para os violadores da mudança climática", em alusão aos países industrializados.

"Quando países cospem seus produtos nocivos para seu próprio consumo, isto não é uma violação dos direitos humanos?", questionou Mugabe, constantemente denunciado justamente por violações dos direitos humanos.

Após a dinamarquesa Connie Hedegaard cumprir a formalidade de ceder a Presidência da cúpula ao primeiro-ministro do país, Lars Lokke Rasmussen, os delegados das nações em desenvolvimento esperavam que o clima melhorasse na capital dinamarquesa. Para eles, a futura comissária europeia do Clima tinha se dedicado demais aos países ricos.

Entretanto, movimentos de defesa do meio ambiente como o Oxfam Internacional apontavam que, com o decorrer da conferência, a apenas dois dias de seu final, os únicos que podem salvá-la são os 119 chefes de Estado e de Governo que começaram a chegar hoje à cúpula.

Ao longo das negociações, que começaram no dia 7, o assunto mais polêmico dos debates foi o financiamento pelas nações industrializadas para o combate aos danos causados pela mudança climática no mundo em desenvolvimento.

Hoje, chamou a atenção um texto divulgado pelos Estados Unidos no qual não apareciam prazos para a redução nas emissões de gases estufa, o que obrigaria a sair do zero para negociar um tratado com valor jurídico que defina cotas e porcentagens concretas para os cortes.

Por mais um dia, a COP15 foi marcada nesta quarta-feira por protestos de organizações de defesa do meio ambiente nos arredores do centro de convenções Bella Center, sede da cúpula. Policiais usaram gás lacrimogêneo e spray de pimenta para dispersar os manifestantes. EFE rs/bba

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