Protesto na Bolívia deixa 2 mineiros mortos; tensão aumenta

Por Carlos Alberto Quiroga LA PAZ (Reuters) - Dois mineiros morreram na terça-feira em confrontos com policiais, enquanto ganhava força uma onda de protestos contra o governo da Bolívia.

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As manifestações recrudescem a tensão política no país a apenas cinco dias de um referendo que deve decidir sobre a continuidade ou não dos mandatos do presidente boliviano, Evo Morales, e de governadores de Departamento.

Os conflitos fizeram com que fosse cancelada uma reunião entre Morales, político de origem indígena, e o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, aliado dele. E também colocaram em dúvida uma visita a ser realizada pela presidente da Argentina, Cristina Fernández.

O governo boliviano identifica um plano político por detrás das manifestações responsáveis por levar instabilidade ao país antes da votação de 10 de agosto. A onda de mobilizações inclui greves de fome e protestos de ativistas cívicos e de mineiros.

Apesar de membros do governo terem garantido que haveria segurança para o encontro de Morales e Chávez, marcado para a tarde de terça-feira, na cidade de Tarija (sul), o próprio dirigente venezuelano anunciou em Buenos Aires -- onde está desde segunda-feira -- que havia suspendido a viagem à Bolívia devido às manifestações violentas.

'Conversei com o presidente da Bolívia, Evo Morales. E decidimos suspender nossa viagem a Tarija', disse Chávez.

'Por questões de segurança, ou de insegurança, o bom senso aconselha a suspensão da visita, a Tarija, da presidente Cristina Fernández. Foi isso o que sugerimos. Não conseguimos falar com ela', acrescentou.

Cristina ainda não confirmou sua viagem.

FUNDO POLÍTICO

Morales, seu vice-presidente e os governadores de oito dos nove Departamentos bolivianos, a maioria deles da oposição, devem se submeter no domingo ao referendo que pode dar ao presidente a oportunidade de acelerar a 'refundação' da Bolívia segundo um plano indigenista-socialista, plano esse até agora bloqueado pelos opositores do bloco conservador.

'O fundo dessas mobilizações é político. Eles estão tentando fazer com que o referendo fracasse e já se sabe que estão dispostos a chegar a extremos. Mas, no domingo, teremos uma jornada eleitoral a contento', disse Alfredo Rada, ministro de governo.

Rada observou que, em enfrentamentos ocorridos de manhã, em uma importante estrada localizada cerca de 230 quilômetros ao sul de La Paz, morreu um manifestante e outros mais de 12 ficaram feridos.

Pouco depois, as estações de rádio católicas Erbol e Fides disseram que um segundo mineiro havia morrido ao meio-dia, enquanto continuavam os embates em meio a uma operação policial lançada para desobstruir a estrada. A operação começou depois de os mineiros terem dinamitado e destruído parcialmente uma ponte.

'Isso é um massacre e o único culpado é Evo Morales', disse às rádios Felipe Machaca, membro da direção da Central Operária Boliviana, entidade que convocou as manifestações para exigir uma reforma em seu sistema de aposentadoria.

Rada disse que, segundo o comandante-geral da polícia boliviana, 'nenhum policial portava armas de fogo nessa operação'.

O ministro acrescentou que uma investigação deve determinar se houve, conforme disseram as rádios católicas, disparos de armas de fogo em meio ao conflito.

Os mineiros bloqueiam a estrada desde o fim de semana passado.

(Com reportagem de Rodrigo Martínez em Tarija e Karina Grazina em Buenos Aires)

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