Protesto na África pede a líderes que mantenham combate à Aids

Por Pascal Fletcher DACAR (Reuters) - Centenas de manifestantes carregaram nesta terça-feira bonecos gigantes do presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, e do presidente francês, Nicolas Sarkozy, para exigir que eles repassem os recursos prometidos para o combate à Aids na África.

Reuters |

Com pôsteres de apoio às vítimas da Aids e com a mensagem "as crianças da África estão de olho em vocês", os manifestantes, a maior parte deles vestida de branco, caminharam por uma avenida no centro da capital do Senegal. Entre eles havia muitas crianças.

Bonecos gigantes --cada um com quase quatro metros de altura--representavam Obama, vestido com uma jaqueta azul, uma gravata vermelha e calças com listras vermelhas e brancas, e Sarkozy, com um paletó preto e um lenço das cores da França no bolso de cima.

Uma grande bola vermelha e amarela representando o vírus da Aids foi carregada pelos manifestantes, que usavam luvas brancas.

Eles, que se reuniram um dia antes de uma conferência internacional em Dacar sobre a Aids, disseram que o protesto tinha o objetivo de lembrar os líderes de Estados Unidos e França a não esquecer dos milhões de dólares prometidos para programas contra a Aids.

"Eles têm que avançar... As promessas que eles fizeram precisam ser cumpridas", disse Velephi Riba, porta-voz do centro Save the Children, que ajudou a organizar a marcha.

O grupo Save the Children declarou que como os governos do mundo desenvolvido direcionaram dezenas de bilhões de dólares a pacotes de resgate do sistema financeiro, seus líderes não podem deixar de lado as promessas públicas de ajudar os mais pobres do mundo, incluindo os que sofrem de Aids.

"As crianças impactadas pelo vírus HIV na África --que nunca ouviram falar de Wall Street-- não deveriam pagar o preço da crise econômica global", disse Ame David, outro porta-voz.

De acordo com o Save the Children, Obama prometeu recentemente dar ao menos 50 bilhões de dólares até 2013 para o combate mundial contra o HIV e a Aids.

A França, que ocupa a Presidência rotativa da União Européia, é um dos colaboradores principais da luta contra o HIV na África, com o financiamento anual de 360 milhões de euros (458 milhões de dólares).

"Obama e Sarkozy não podem voltar atrás nessas promessas com um só dólar ou euro", disse Riba.

Estima-se que 33 milhões de pessoas viviam, no fim de 2007, com o vírus HIV em todo o mundo, a maior parte delas na África subsaariana. A Aids já matou 25 milhões de pessoas desde que foi identificada, em 1981.

De acordo com as estimativas, 2,7 milhões de pessoas são infectadas a cada ano.

Entre os manifestantes de Dacar, o garoto Abdoulaye Maria, de 11 anos, carregava um pôster pedindo ajuda para os que sofrem com a Aids.

Perguntado sobre o que era Aids, ele respondeu com timidez: "é uma doença". E como ela deve ser evitada? "Eu não sei".

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