BANGCOC (Reuters) - Milhares de manifestantes contra o governo interditaram o Parlamento tailandês na segunda-feira, forçando o primeiro-ministro Abhisit Vejjajiva a atrasar seu discurso de abertura enquanto a economia do país está à beira da recessão. O anúncio do novo plano do governo para incentivar os setores de exportações e turismo -- que comandam a economia-- é agora esperado para a terça-feira após negociações falharem em acabar com o protesto no Parlamento durante a longa crise política da Tailândia.

"O governo não vai usar violência para dispersar os manifestantes. Nós vamos continuar com as negociações", disse Abhisit após seu discurso ser adiado para as 0h30 (horário de Brasília) da terça-feira.

A Tailândia teve quatro primeiros-ministros neste ano e registrou meses de protestos nas ruas, incluindo um bloqueio de uma semana nos principais aeroportos de Bangcoc, que afastou os turistas e abalou a confiança de investidores estrangeiros.

Com a queda das exportações devido à crise financeira global, a economia da Tailândia deve contrair neste trimestre e pode entrar em recessão em 2009, segundo economistas.

O impasse político, que começou há três anos quando os manifestantes liderados pela elite monarquista e empresarial de Bangcoc causaram a queda do líder Thaksin Shinawatram em um golpe de Estado em 2006, não dá sinais de estar perto de uma resolução.

Simpatizantes do milionário exilado acusam Abhisit de "roubar" o poder após os militares coagirem partidos pequenos a se unirem à coalizão há duas semanas atrás. O novo primeiro-ministro nega as acusações.

O governo anterior, liderado pelo cunhado de Thaksin, foi forçado a deixar o cargo depois que uma corte considerou três partidos da coalizão culpados de fraude eleitoral em uma eleição em dezembro de 2007.

De acordo com a constituição, um novo governo não pode começar a trabalhar oficialmente antes de anunciar publicamente suas políticas ao Senado e à Câmara.

Abhisit disse que seus ministros não podem começar as ações para revigorar a economia, cuja expectativa de crescimento é de 0 a 2 por cento em 2009, a pior em uma década.

Para Abhisit, a reconciliação nacional é uma prioridade, mas analistas dizem que ele não deverá conseguir avanços na solução das principais disputas entre a elite de Bangcoc e os simpatizantes de Thaksin no interior do país.

(Reportagem adicional de Vithoon Amorn e Sinfah Tunsarawuth)

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