Protesto estudantil no Chile termina com ocupação da Embaixada brasileira

Santiago do Chile, 12 jun (EFE).- Uma manifestação em massa de estudantes do ensino médio e universitários chilenos, que protestaram hoje contra o projeto de uma nova Lei Geral de Educação (LGE) terminou com 30 detidos e com a ocupação da Embaixada brasileira, informaram as autoridades locais.

EFE |

Durante a manifestação, dez jovens entraram na Embaixada do Brasil e permaneceram por cerca de uma hora acorrentados ao edifício.

Os adolescentes, comandados por María Jesús Sanhueza, uma das líderes da chamada Revolução Pinguina (do Pingüim), uma mobilização de estudantes ocorrida em 2006, entregaram aos jornalistas um comunicado em espanhol e português.

No texto, dirigido às autoridades diplomáticas brasileiras, os manifestantes asseguraram que a ação foi "uma medida de desespero" perante a repressão das forças policiais e que pediam "um diálogo com o Estado do Chile", mas a Polícia interveio e deteve oito jovens.

Em nota oficial, o Ministério das Relações Exteriores brasileiro disse lamentar o incidente. "O Brasil lamenta o ocorrido, que considerou um fato isolado, e recebeu as garantias do Governo chileno de que esse tipo de incidente não voltaria a acontecer", diz o texto.

Segundo as autoridades, os incidentes começaram quando alguns grupos de manifestantes tentaram prosseguir a manifestação pela Alameda Bernardo O'Higgins, em direção ao Palácio da Moeda e o Ministério da Educação.

"Houve incidentes menores, há 30 detidos", disse aos jornalistas o subsecretário de Interior, Felipe Harboe, que admitiu que mais de 5 mil jovens percorreram cerca de dois quilômetros pelo centro de forma pacífica, enquanto outro contingente de jovens se reuniu no Parque Almagro, também no centro da capital chilena.

A Polícia impediu as tentativas com gás lacrimogêneo e jatos de água, em incidentes que se prolongaram por não mais que quinze minutos.

Os estudantes, que permanecem ocupando pelo menos 20 liceus e várias universidades quererm que o projeto seja retirado do Parlamento porque, segundo eles, não aponta para uma democratização do ensino e mantém o conceito de lucro, que transformou a educação em um negócio, em detrimento do setor público e municipal do ensino.

As organizações estudantis pedem que seja eliminado o ensino municipal e particular subvencionado, de modo que toda a educação básica e secundária fique novamente sob a tutela direta do Ministério da Educação, como ocorria até o ano 1981.

A ministra da Educação chilena, Mónica Jiménez, afirmou que "não há nenhuma razão" para que os estudantes permaneçam mobilizados porque o projeto, que suscitou um intenso debate parlamentar, incorpora muitas de suas inquietações e pretende um fortalecimento da educação pública.

"A lei seguirá adiante e o pedido é de que confiem em seu Parlamento (...) se querem qualidade têm que voltar às aulas", afirmou, depois de se reunir com vários prefeitos para avaliar a situação. EFE ns/bm/rr

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