Protesto deixa cinco mortos e 300 presos no Irã, diz polícia

TEERÃ - O subdelegado da polícia do Irã, Ahmad Reza Radan, afirmou que cinco pessoas morreram e mais de 300 foram presas neste domingo, em uma série de protestos contra o governo do presidente Mahmoud Ahmadinejad em Teerã. No entanto, ele negou que as mortes tenham sido causadas pelas forças de segurança do país, que reprimiram as manifestações.

iG São Paulo |


"Como a polícia não utilizou armas de fogo, as mortes são suspeitas e uma investigação está em curso", disse Radan, em entrevista a uma rede de TV oficial iraniana, informando que "mais de 300 pessoas foram presas".

Relatos de grupos oposicionistas, porém, afirmam que quatro pessoas foram mortas nos confrontos entre os manifestantes e as forças de segurança. Uma das vítimas foi o sobrinho do líder oposicionista iraniano Mir Hossein Mousavi, morto com um tiro no coração.

AP
Policiais e manifestantes entram em confronto em Teerã

Policiais e manifestantes entram em confronto em Teerã

Partidos de oposição do Irã haviam convocado a manifestação para coincidir com o fim da festividade muçulmana xiita de Ashura. A mídia estrangeira está proibida pelo governo iraniano de cobrir as manifestações da oposição, razão pela qual as informações sobre as mortes não puderam ser confirmadas por fontes independentes.

A morte de Seyed Ali Mousavi, sobrinho do ex-candidato presidencial derrotado nas eleições de junho pelo presidente Mahmoud Ahmadinejad, foi confirmada pelo correspondente da BBC Jon Leyne.

Mousavi ficou em segundo lugar nas eleições presidenciais de junho, mas acusou o presidente Ahmadinejad, reeleito para mais um mandato, de fraudar a votação.

Desde então, foram realizadas grandes manifestações em protesto contra o resultado da eleição, com um saldo de vários mortos nas primeiras semanas, mas as fatalidades têm sido raras desde então.

Segundo Siavash Ardalan, da TV persa da BBC, as forças de segurança iranianas precisam caminhar sobre uma linha fina para não parecerem fracas, mas também para evitar provocar ainda mais os manifestantes da oposição.

Tensão

A tensão no Irã vem se intensificando desde a morte do clérigo dissidente aiatolá Hoseyn Ali Montazeri, na semana passada, aos 87 anos.

Simpatizantes do líder oposicionista Mir Hossein Mousavi procuraram aproveitar as festividades xiitas deste fim de semana para demonstrar seu contínuo repúdio ao governo do presidente Mahmoud Ahmadinejad.

Após a proibição das manifestações, a oposição escolheu o altamente significativo festival de Ashura, quando milhões de iranianos tradicionalmente vão às ruas para participar de cerimônias e paradas. O festival comemora a morte, no século 7, do imã Hussein, neto do profeta Maomé.

Fumaça

Helicópteros da polícia podiam ser vistos sobrevoando o centro de Teerã, enquanto colunas de fumaça negra eram vistas em diversas partes. Nas ruas, as forças de segurança tentaram impedir que os manifestantes chegassem à praça Enghelab, no centro da cidade.

Segundo sites oposicionistas, os manifestantes gritavam "Este é o mês do sangue" e pediam a derrubada de Khamenei. Simultaneamente, grupos de manifestantes pró-governo participavam de um protesto na praça Enghelab para manifestar apoio ao aiatolá Khamenei, segundo testemunhas. Outras manifestações ocorreram nas cidades de Isfahan e Najafabad.

Com BBC e AFP

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