Os produtores agropecuários da Argentina decidiram suspender por uma semana, a partir desta sexta-feira, a comercialização de grãos e de carnes, para protestar contra a política fiscal do governo de Cristina Kirchner, informaram nesta terça-feira quatro entidades do setor.

"Interpretando o mal-estar dos produtores e a crítica situação do interior do país, convocamos a suspensão da venda de grãos para a indústria e a exportação, do mesmo modo que a venda de gado bovino em pé", disse o dirigente Carlos Garetto.

Segundo Garetto, o "lock out" começará "a zero hora de sexta-feira, dia 28 de agosto", e prosseguirá até "as 24 horas de 4 de setembro".

Os produtores destacaram que a gota d'água foi o veto parcial de Cristina Kirchner à lei de emergência agropecuária que suspendia impostos sobre as exportações de alimentos em zonas produtoras afetadas pela seca.

O artigo vetado pela presidente previa a suspensão, por 180 dias, do pagamento de impostos sobre exportações em 37 distritos da província de Buenos Aires, coração produtivo da soja na Argentina.

A decisão de suspender as vendas responde ao "crescente mal-estar, que se manifesta em alguns pontos com mais força que em outros", destacou Garetto.

Mario Llambías, representante dos pecuaristas, garantiu que as entidades "não apóiam o bloqueio de estradas" promovido por alguns produtores, mas defendem "que haja mobilizações para exigir explicações sobre o que ocorre".

O veto de Kirchner foi qualificado de "atitude autoritária e quase monárquica" por Eduardo Buzzi, presidente da Federação Agrária Argentina e um dos líderes do movimento rural de 2008.

As patronais agrárias puseram o governo argentino em xeque em 2008 com uma greve de quatro meses, que suspendeu a comercialização de grãos e bloqueou estradas, levando ao desabastecimento nas grandes cidades.

Os produtores exigem uma redução do imposto sobre as exportações de soja de 35% para menos de 20%, e a eliminação das taxas sobre as vendas externas de trigo, milho e girassol, hoje em 23% em média.

Para o governo, os impostos agrários respondem por 14% da arrecadação fiscal, e são fundamentais para a máquina estatal em meio à crise econômica mundial.

A Argentina é o terceiro exportador mundial de soja, atrás de Estados Unidos e Brasil, e este ano a soja deve ocupar 70% da superfície semeada.

ls/LR

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.