Uma grande passeata que reuniu dezenas de milhares de opositores ao presidente paquistanês Pervez Musharraf, entre eles magistrados, foi realizada à noite, hora local, em Islamabad, para exigir a reintegração dos juízes destituídos pelo chefe de Estado.

Efetivos da segurança informaram que 6.000 paramilitares e policiais foram mobilizados na capital para acompanhar a manifestação.

Musharraf destituiu cerca de 60 juízes amparando-se no estado de exceção que instaurou em 3 de novembro do ano passado; os magistrados estavam prestes a se pronunciar sobre a validade de sua reeleição como presidente.

O novo partido de coalizão, dirigido pelos partidos da ex-primeira-ministra assassinada Benazir Bhutto e do ex-chefe de Governo, Nawaz Sharif, que derrotaram os aliados de Musharraf nas eleições de fevereiro passado, prometeu reintegrar os juízes.

A capital é a última etapa de uma "longa marcha" iniciada segunda-feira nas principais cidades do país asiático.

À noite havia 20.000 manifestantes no centro da capital, segundo a polícia, e 50.000, segundo os organizadores.

Os advogados vestiam toga e os manifestantes diziam em coro: "Vá embora, Musharraf, vá!", comprovou a AFP.

Se, como pedem os manifestantes, o novo Parlamento decidir reabilitar estes juízes, o Tribunal Supremo poderá teoricamente considerar ilegal o novo mandato de cinco anos de Musharraf e iniciar um procedimento de destituição.

Musharraf, no poder desde um golpe de Estado militar em 1999, perdeu as eleições legislativas de fevereiro e, desde então, o chefe de Estado se vê obrigado a coexistir com um governo de coalizão saído das urnas, procedente da ex-oposição.

Os Estados Unidos não poupam críticas ao novo governo por suas tentativas de negociar um acordo de paz com os combatentes islamitas nas zonas tribais do noroeste do país, onde a Al-Qaeda e os talibãs afegãos teriam se fortalecido.

"O Parlamento deve agora respeitar os sentimentos daqueles que o elegeram", declarou à AFP o magistrado Aitzaz Ahsan.

O ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif, líder do segundo partido da coalizão, uniu-se à "longa marcha" para pedir a demissão de quem chama "o ditador" Musharraf.

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