Protesto de estudantes no Chile termina com mais de cem detidos

Polícia realizou pelo menos 132 prisões e os confrontos com os estudantes deixaram 30 feridos entre agentes e civis

iG São Paulo |

A manifestação de estudantes que ocupou Santiago, capital do Chile, terminou com pelo menos 132 detidos na quinta-feira. Liderados pela universitária Camila Vallejo, jovens voltaram as ruas para exigir melhorias no sistema de educação pública, depois de terem rompido o diálogo com o governo . A polícia usou jatos de água e gás lacrimogêneo para dispersar a marcha que começou na Praça Itália, no centro da capital.

AP
Policial persegue manifestante durante protesto estudantil em Santiago, no Chile

De acordo com a governadora de Santiago Cecilia Pérez, pelo menos 25 policiais e cinco civis ficaram feridos nos distúrbios. Pérez qualificou o incidente como "lamentável" e garantiu que as detenções seriam investigadas. Segundo a Associated Press, pelo menos seis jornalistas foram presos.

Os manifestantes atiraram pedras nos agentes e bloquearam as ruas, enquanto a cavalaria da polícia entraram em choque com estudantes nas redondezas da praça Italia. A líder estudantil Camila Vallejo disse que os policiais atiraram bombas de gás lacrimogênio nos centros estudantis em um "ataque direto à nossa organização".

Os estudantes ocuparam a Alameda, uma das principais avenidas da capital, mas foram dispersados com jatos de água jogados pelos agentes. Um pequeno grupo conseguiu escapar da polícia e se aproximou do palácio presidencial antes de serem repelidos por forças policiais.

A manifestação foi encerrada com um "panelaço" na Praça Itália e em outros pontos de Santiago, até mesmo em edifícios, em uma amostra da simpatia de parte da população ao movimento dos estudantes. Esse protesto foi a 37ª manifestação semanal desde que o sistema de privatização do ensino teve início no Chile em abril. Os estudantes exigem mais investimento no setor por meio da cobrança de impostos mais altos sobre os ricos para que exista educação pública e de qualidade para todos.

Com ambos os lados acusando o outro de intransigência, o governo do Chile criminaliza as manifestações, propondo penas mais duras, como três anos de prisão por ocupações em escolas e espaços públicos. Segundo Vallejo, a intervenção policial foi sem precedentes, até mesmo para um movimento que já dura cinco meses.

"Nós temos certeza que representamos a grande maioria dos chilenos", disse o ministro do Interior Rodrigo Hinzpeter na quinta, ao defender o plano do governo de penalizar ocupações estudantis.

Pesquisas apontam que 89% dos chilenos apoiam as reformas propostas por estudantes e apenas 22% estão do lado do presidente Sebastian Piñera. O mandatário finalmente concordou em chamar os estudantes para uma mesa de negociações com o ministro da Educação, Felipe Bulnes, para discutir a situação.

Com EFE e AP

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