Protesto de 5 dias começa com baixa participação no Paraguai

Assunção, 10 ago (EFE).- Com uma baixa adesão, começou hoje, no Paraguai, um protesto de cinco dias convocado por camponeses e grupos de esquerda que exigem a renovação da Suprema Corte e criticam a gestão do Congresso.

EFE |

Em Assunção, aproximadamente 600 militantes se reuniram em frente à sede do Panteão Nacional dos Heróis, num dos principais atos da mobilização que acontece simultaneamente em 11 dos 17 departamentos (estados) do país.

Os protestos, que terminarão em 14 de agosto, são realizados na ausência do presidente Fernando Lugo, que deve retornar ao país amanhã, já que nesta segunda-feira ele foi ao Equador participar da cúpula da União de Nações Sul-americanas (Unasul) e da posse do colega Rafael Correa, que assumiu seu segundo mandato.

Os organizadores das manifestações paraguaias tinham dito que arrastariam 8.000 pessoas até o centro da capital e outras 40.000 no departamento de San Pedro (centro), onde os sem-terra são muito ativos.

Algumas lideranças atribuíram a baixa adesão às estradas do país, que ficaram praticamente intransitáveis após as chuvas do fim de semana. Porém, disseram que a participação dos camponeses e da esquerda governista deve aumentar nos próximos dias.

Elvio Benítez, um dos líderes dos sem-terra em San Pedro, afirmou que a classe está "acostumada" e tem "condições de manter (as mobilizações) por mais tempo", até que suas reivindicações sejam atendidas.

"O povo agora sai para exigir justiça. O ideal seria o julgamento político de parte dos parlamentares, dos ministros da Suprema Corte e do procurador-geral do Estado (Rubén Candia Amarela) por mau desempenho de suas funções", destacou o sem-terra.

"Também propomos que a regulamentação de uma consulta popular para a avaliação dos parlamentares, embora à simples vista já seja fácil avaliar", afirmou.

Por sua vez, o deputado do nanico Partido Pátria Querida (PPQ), Carlos Soler, chamou de "pseudodirigentes" e "criminosos sociais" os organizadores dos protestos. Para o legislador, os manifestantes invocam uma figura jurídica não contemplada na Constituição ao cobrarem a realização de uma consulta popular.

As manifestações, que têm a reforma agrária integral como outra reivindicação, também atraíram poucas pessoas nos departamentos de Alto Paraná, Caaguazú, Canindeyú, Caazapá, Concepción, Guairá, Itapúa, Misiones, Ñeembucú e Paraguari.

Na capital paraguaia, o protesto é promovido pelos partidos de esquerda que integram a Aliança Patriótica para a Mudança, de amplo espectro ideológico e que levou Lugo ao poder nas eleições gerais de 20 de abril de 2008, pondo fim a 61 anos de Governo do Partido Colorado.

Nesta segunda, o chefe de Estado, por meio de uma nota divulgada pela Presidência, reiterou a importância de o "direito de terceiros", como a livre circulação de pessoas, ser respeitado durante a mobilização.

Nesse sentido, o ministro do Interior, Rafael Filizzola, cuja renúncia é exigida pelos manifestantes, afirmou que os mais de 4.000 policiais nas ruas do país não permitirão distúrbios nem perturbação da ordem pública, como bloqueios em estradas.

A renovação do Supremo, processo herdado da Administração anterior e também uma promessa de campanha de Lugo, é outra cobrança feita pelos organizadores dos protestos. Porém, a mudança desses membros só pode ser determinada por um julgamento político promovido pelo Congresso ou após a renúncia de seus membros.

Os manifestantes condenam ainda a gestão do Parlamento, considerado um representante da direita.

No Congresso, o Governo tem o apoio de parte dos parlamentares do Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA), de centro-direita e a segunda maior legenda do país.

Além disso, tem o apoio dos nanicos da esquerda Movimento Popular Tekojoja (dois parlamentares), Partido País Solidário (PPS, um senador), Partido Democrático Popular (PDP, um senador e um deputado) e Movimento ao Socialismo (P-MAS), este último sem representação na casa, mas à qual pertence o ministro de Emergência Nacional, Camilo Soares. EFE rg/sc

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