Protesto contra scanners corporais tem baixa adesão nos EUA

Campanha pedia que passageiros se recusassem a passar pela máquina, na tentativa de causar atrasos em aeroportos

iG São Paulo |

O protesto contra scanners corporais marcado para esta quarta-feira nos Estados Unidos teve adesão de poucos passageiros. Uma campanha organizada pela internet pedia que os americanos se recusassem a passar pela máquina e causassem atrasos nos aeroportos, que estão bastante movimentados por causa do feriado de Ação de Graças nesta quinta-feira.

Segundo a Administração da Segurança dos Transportes, agência que regula o setor, o tempo médio de espera nos maiores aeroportos do país era de 20 minutos ou menos, considerado normal. Além disso, nenhum incidente sério foi registrado.

Cerca de 400 novos scanners avançados foram instalados em mais de 60 aeroportos do país para evitar potenciais ataques terroristas, mas, para alguns, essas medidas representam uma violação da intimidade. Além disso, em novembro a revista física se tornou mais invasiva, o que também irritou passageiros.

Analistas avaliam que a agência falhou ao comunicar as mudanças ao público. Quando os procedimentos de revista manual foram intensificados, por exemplo, a agência se recusou a responder perguntas básicas, alegando motivos de segurança.

O vazio criado pelas perguntas sem resposta foi preenchido por queixas quanto à falta de privacidade e quadros irônicos no programa de humor "Saturday Night Live".

Patrick Smith, que escreve a coluna Ask the Pilot (Pergunte ao Piloto, em tradução livre) no Salon.com, acredita que não se deve “agredir as pessoas” e tratá-las como possíveis terroristas apenas porque elas querem voar. Para ele, a agência deve agilizar suas operações de segurança e realocar funcionários para realizar uma varredura mais minuciosa nas bagagens em busca de bombas e explosivos.

"Nós não podemos nos proteger de todas as ameaças possíveis e precisamos reconhecer isso", disse Smith. "Sempre haverá uma maneira para um criminoso com recursos suficientes contornar as medidas que colocamos em prática".

Ameaça

Diretor de segurança federal do Aeroporto Internacional Thurgood Marshall Baltimore, em Washington, Philip Burdetter afirma que as medidas de segurança foram reforçadas por causa de ameaças, “especialmente depois de Umar Farouk Abdulmutallab", nigeriano acusado de tentar explodir um avião sobre Detroit com explosivos escondidos na cueca no último Natal.

Burdette supervisiona o trabalho de 700 agentes que avaliam até 40 mil passageiros por dia – dos quais menos de 3% são revistados –, e que muitas vezes são tratados como executores mecânicos fantasiados de policiais.

Essa percepção já foi tão difundida e os agentes se sentiam tão assediados que dois anos atrás a TSA mudou a camisa do seu uniforme para azul e adotou emblemas dourados para substituir os crachás. A agência também iniciou uma campanha interna chamada IGYB – sigla para "I've Got Your Back” (Eu Cuido de Você, em tradução livre).

Em troca de benefícios e um salário que começa em US$ 12,85 por hora, estes agentes desarmados engolem a irritação dos outros, aplicam métodos de segurança que se intensificam a cada dia, abafam o constrangimento que possam ter a respeito de tocar outras pessoas - ah, e estão sempre alerta para bombas, recipientes contendo líquidos, objetos cortantes, ingredientes explosivos e o próximo Abdulmutallab.

"Eu quero que eles pensem em Abdulmutallab em cada revista", disse Burdette.

Kristin Wade, 27 anos, orienta passageiros durante a passagem pelo scanner corporal. Com um fone de ouvido sem fio ela se comunica com outro funcionário, que fica em uma cabine fechada estudando as imagens captadas pelo aparelho. Se este funcionário avistar uma sombra que não deveria estar lá, notifica Wade, que então realiza uma revista corporal para encontrar, invariavelmente, um conjunto de chaves ou um telefone celular.

Outro agente de segurança do aeroporto de Washington, Patrick Simmons, 50 anos, afirma que as queixas de passageiros têm crescido conforme aumentam as medidas de segurança. Segundo ele, as pessoas entendem o procedimento "contanto que você explique as coisas com voz calma".

Com AP e The New York Times

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