LIMA ( LIMA - Mais de mil mulheres fizeram um panelaço na quarta-feira diante do Congresso peruano para exigir que o governo se empenhe mais em controlar o preço dos alimentos, num tipo de protesto que vem ocorrendo em lugares tão díspares quanto o Cazaquistão e o Haiti. As mulheres, muitas acompanhadas de filhos pequenos, são responsáveis por cozinhas comunitárias onde peruanos pobres podem tomar café-da-manhã ou almoçar pelo equivalente a menos de um dólar.

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A inflação dos produtos básicos fez a aprovação ao presidente Alan García cair para 26 por cento neste mês, menor índice desde sua posse, em 2006.

Neste mês, semanas depois de reduzir os impostos sobre alimentos importados, García começou a mobilizar o Exército para distribuir cestas básicas nos bairros mais pobres da capital.

Produtos essenciais, como arroz, milho e trigo, vêm subindo no mundo todo por causa de vários fatores, como o uso intensivo de terras para a produção de biocombustíveis, o aumento da demanda na Ásia, transtornos climáticos e especulações no mercado.

Já houve protestos por causa disso em vários países da África e Ásia, e no Haiti o governo caiu.

'O preço dos alimentos continua aumentando, e o governo não presta atenção aos refeitórios', disse Maria Bozeta, diretora de uma das três entidades que representam esses bandejões.

As refeições ali servidas são subsidiadas pelo governo, mas as mulheres dizem que têm dificuldades para atender os clientes e que García precisaria aumentar a ajuda financeira para cobrir seus custos.

'García, a panela está vazia!', gritavam as mulheres a caminho do Congresso, no centro de Lima.

Centenas de milhares de pessoas dependem dos bandejões para se alimentar. Estima-se que 12 milhões de peruanos (42 por cento do total) vivam na pobreza.

As donas dos refeitórios querem uma elevação de 30 por cento nos subsídios para acompanhar os aumentos do arroz, do pão e da carne.

'[Sem o aumento,] onde vamos comer?', perguntava Soledad Requena, participante da manifestação.

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