Proteínas de gramínea ajudariam a economizar energia, diz pesquisa

Valparaíso (Chile), 5 set (EFE).- Cientistas chilenos encontraram proteínas, capazes de realizar transformações químicas a baixas temperaturas, em uma gramínea da Antártida, o que economizaria energia em processos industriais e em atividades domésticas, como por exemplo lavar a roupa.

EFE |

Durante uma pesquisa iniciada este ano, foram descobertas proteínas que podem funcionar como enzimas - substâncias catalisadoras e reguladoras dos processos químicos do organismo - a temperaturas de até 15 graus abaixo de zero, como explicou à Agência Efe a cientista chilena Jenny Blamey, da Fundación Biociencia.

Blamey participou com outros 280 especialistas do 4º Simpósio Latino-americano sobre Pesquisas Antárticas e na 7ª Reunião Chilena de Pesquisa Antártica, que estão sendo realizadas esta semana na cidade de Valparaíso, a 125 quilômetros a oeste de Santiago.

"Essas enzimas são capazes de transformar quimicamente, em baixa temperatura, um composto em outro, o que poderia ter aplicações em nível industrial e científico, e reduziria, além disso, os custos da energia, pois não seria necessário aplicar calor nesses processos", explicou Jenny.

Entre os últimos avanços da biotecnologia, a especialista destacou a identificação de microorganismos capazes de degradar os restos de hidrocarbonetos e de outros seres que possuem agentes bactericidas similares aos antibióticos, embora estas pesquisas não contem, por enquanto, com uma aplicação prática.

O biólogo chileno León Bravo Ramírez, da Universidade de Concepción, conseguiu com outros pesquisadores isolar um gene de Deschampsia antarctica, uma espécie de gramínea que vive nessa região, e cloná-la em um microorganismo para reproduzi-la e obter um tipo de enzima chamada lipase.

Ao serem obtidas de uma planta que resiste ao frio antártico, as lipases - encarregadas de quebrar as gorduras dos alimentos para que o organismo possa absorvê-las - poderiam realizar este processo a baixas temperaturas.

Deste modo, por exemplo, poderiam ser empregadas como aditivo em detergentes para que não fosse necessária água quente durante a lavagem.

Embora a enzima ainda esteja sendo pesquisada, outra possível aplicação dela seria no tratamento de resíduos da indústria pesqueira para evitar seu impacto negativo no meio ambiente, disse o cientista. EFE frf/bm/ma

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