Saud Abu Ramadán. Gaza, 16 jan (EFE).- A ofensiva militar israelense na Faixa de Gaza diminuiu um pouco ao completar hoje três semanas, enquanto avançavam os esforços para um acordo de cessar-fogo que Israel e Hamas negociam através do Egito.

Após a intensa jornada de violência vivida por ontem na faixa, na metade da tarde de hoje o Exército israelense tinha suavizado sua ofensiva, embora os últimos ataques tenham causado mais vítimas civis, incluindo várias crianças.

Uma menina morreu quando a casa na qual se refugiava recebeu os impactos dos disparos de um tanque israelense no campo de refugiados de Jabalya, no norte da faixa.

Duas crianças também perderam a vida em um bombardeio aéreo em Rafah, no sul e onde foram feridos outros cinco menores.

Três milicianos do grupo armado "Comitês Populares da Resistência" morreram em um ataque de manhã da aviação israelense ao sul da cidade de Gaza.

Outros dois palestinos morreram à tarde quando um míssil disparado do ar por um aparelho israelense caiu no veículo no qual viajavam perto da Praça Palestina da mesma cidade, segundo testemunhas e fontes médicas.

No total, as forças israelenses tinham matado até o meio da tarde oito pessoas, que se somam às 23 cujos corpos foram localizados hoje sob os escombros de uma casa bombardeada ontem por Israel, também na capital da faixa.

Incluídas essas vítimas, o chefe dos serviços de urgência do Ministério da Saúde em Gaza, Muawiya Hassanein, cifrou em 1.140 os palestinos mortos e em mais de 5.000 os feridos desde que Israel iniciou a ofensiva militar em 27 de dezembro do ano passado.

O dia também foi marcado pelo grande enterro do ministro do Interior do Hamas, Said Siyam, morto ontem junto a outras três pessoas em um ataque da aviação israelense e cujas honras fúnebres tiveram a participação de milhares de partidários do movimento islamita.

Siyam, que morreu junto com seu filho Mohammed, seu irmão Iyad e o chefe dos Serviços de Segurança do Hamas, Salah Abu Shreh, era considerado como um dos cinco principais dirigentes do movimento islamita na faixa.

Uma multidão participou do cortejo fúnebre, mas sem a presença de nenhum miliciano nem outros destacados líderes do Hamas, que permanecem na clandestinidade desde o início da ofensiva israelense.

Segundo porta-vozes militares israelenses, também se reduziu o lançamento de foguetes dos grupos armados palestinos.

Essas fontes avaliaram na primeira hora da tarde em 13 o número de projéteis disparados desde a faixa contra Israel, onde caíram em povoados na divisa da faixa, como Ashdod e Kiryat Gat, e que deixaram quatro feridos.

A diminuição da atividade bélica coincidiu com uma intensificação das esforços para alcançar um cessar-fogo.

Emissários de Israel e do Hamas se encontram em permanente contato com as autoridades egípcias, que lideram as negociações de mediação para uma cessação das hostilidades.

A essas gestões se somou o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, de visita na região e que depois de se reunir ontem com o estado maior do Governo israelense viajou hoje à cidade cisjordaniana de Ramala, sede da moderada Autoridade Nacional Palestina (ANP).

Após se encontrar ali com o presidente e o primeiro-ministro da ANP, Mahmoud Abbas e Salam Fayyad, o secretário-geral da ONU afirmou que se "está muito perto" de um cessar-fogo.

As perspectivas de uma cessação das hostilidades não impediram que pela terceira sexta-feira consecutiva jovens palestinos se manifestassem em diferentes cidades cisjordanianas e em Jerusalém Oriental (árabe) em protesto contra a dura ofensiva militar israelense na faixa.

Forças de segurança israelenses mataram um adolescente e feriram 50 que participavam de uma manifestação em Hebrom.

O menor, identificado como Musab Daana, de 15 anos, morreu por disparos que o feriram mortalmente nessa cidade cisjordaniana.

Jovens palestinos também protagonizaram manifestações de protesto em Jerusalém Oriental, onde as forças de segurança israelenses tinham se desdobrado desde as primeiras horas da manhã na velha cidade, prevendo demonstrações populares na saída das mesquitas, após a oração do meio-dia no dia santo muçulmano. EFE sar-fn-db-amg/ma

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