Proprietário de TV anti-Chávez foge da Venezuela

Proprietário da Globovisión deixa país para escapar de mandado de prisão e perseguição política, dizem críticos do governo

AP |

Guillermo Zuloaga, proprietário majoritário da Globovisión, única TV de oposição ainda existente na Venezuela, deixou o país para escapar de um mandado de prisão, confirmaram na terça-feira à noite seus associados sem informar para qual país ele se dirigiu.

Sua fuga significa que dois proprietários da Globovisión, que enfrenta uma série de processos do governo, estão fora da Venezuela. Nelson Mezerhane, proprietário minoritário da emissora, está na Flórida, onde recebeu na segunda-feira a informação de que o governo tomaria o controle de seu Banco Federal por supostos problemas financeiros. À rede de TV CNN, Mezerhane disse que não voltaria a seu país natal por enquanto.

Outro acionista minoritário, o ex-diretor da Globovisión Alberto Ravell, afirmou que a Globovisión sobreviverá ao que qualificou de esforços do governo de estrangular a emissora.

Ravell confirmou que Zuloaga exilou-se, afirmando que a TV será chefiada temporariamente por Maria Fernanda Flores, membro da comissão de diretores, juntamente com Carlos Zuloaga, um dos filhos do proprietário. Segundo o ex-diretor, a Globovisión de nenhuma forma é financeiramente dependente do banco de Mezerhane.

O presidente esquerdista Hugo Chávez frequentemente acusa a Globovisión de conspirar contra ele e de tentar prejudicar seu governo. Ele nega ter influência sobre promotores que fizeram acusações contra Zuloaga ou sobre os funcionários que tomaram controle do banco. "Não tenho nada a ver com isso", disse Chávez na terça-feira à noite. " É sua culpa por gerenciar o banco de forma irresponsável ."

As medidas do governo contra os proprietários da Globovisión aumentaram as tensões entre Chávez e a oposição antes das eleições legislativas de setembro.

O canal recentemente vinha publicando matérias sobre um escândalo que surgiu depois que autoridades descobriram mais de 2,3 mil contâineres de navios com alimentos sem data de validade ou em estado de decomposição nos estoques do governo. A emissora também voltou a divulgar clips de Chávez ameaçando a TV no passado.

"Esse é o único canal que aborda os contêineres com alimentos estragados e fala sobre corrupção", disse Ravell, afirmando que essa é a razão para o governo Chávez tentar reprimir a emissora.

Na sexta-feira, uma corte emitiu um mandado de prisão para Zuloaga e um de seus filhos, também chamado Guillermo. Os promotores querem prender Zuloaga enquanto ele aguarda para ser julgado por usura e conspiração por manter 24 carros estocados em uma de suas propriedades.

Zuloaga, que também tem uma concessionária de automóveis, diz que as acusações são falsas, afirmando que os promotores agem sob ordens de Chávez. A procuradora-geral Luisa Ortega nega que o caso tenha motivação política.

AP
Clientes fazem fila do lado de fora de agência do Banco Federal em Caracas, Venezuela (14/06/2010)
Ao anunciar a intervenção no Banco Federal , autoridades disseram na segunda-feira que haviam detectado sérios problemas financeiros. Mezerhane disse à Globovisión que a medida era apenas política.

Na terça-feira, a agência regulatória de bancos disse ter tomado o controle de três outras companhias financeiras relacionadas ao Banco Federal, enquanto o escritório da procuradora-geral disse que um dos executivos do banco, Luis Laplana Martinez, foi preso no aeroporto de Caracas sob várias acusações, incluindo uso fraudulento de fundos públicos. Outros 21 executivos do grupo, incluindo Mezerhane, foram proibidos de deixar a Venezuela.

A tentativa de prender Zuloaga atraiu críticas de grupos de liberdade de imprensa e do governo americano.

Chávez está em disputa com a Globovisión e outras empresas de mídia há muito tempo. A Globovisión é o único canal abertamente anti-Chávez desde que outra emissora, a RCTV, foi forçada a parar suas atividades na rede a cabo e por satélite em janeiro. A RCTV foi retirada de rede nacional aberta em 2007.

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