Proposta brasileira de Conselho Sul-Americano de Defesa toma corpo

A iniciativa do Brasil de criar um Conselho Sl-Americano de Defesa tem o apoio de todos os países da região, alguns mais entusiastas do que outros, e poderia se concretizar na sexta-feira durante a Cúpula da Unasul, a União das Nações Sul-Americanas, afirmou nesta segunda-feira o ministro brasileiro da Defesa, Nelson Jobim, depois de se reunir com o presidente da Bolívia, Evo Morales.

AFP |

"Todos (os países estão a favor), eu falei com todos e há uma posição favorável a esta instituição, alguns mais entusiastas, outros menos, mas há consenso para a criação do Conselho", declarou Jobim, após seu encontro com o presidente boliviano na casa presidencial do país.

O Conselho proposto pelo Brasil é uma articulação de políticas regionais de defesa que possibilitaria a organização de exercícios e de forças de paz, assim como uma análise conjunta da conjuntura internacional e de situações regionais.

O ministro brasileiro afirmou que "há uma possibilidade de os presidentes discutirem e criarem a institucionalidade do Conselho na (Cúpula da) Unasul (que começa na sexta-feira em Brasília)", e que seja oficialmente inaugurado até o final do ano.

A União de Nações Sul-Americanas é formada por Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela, países por onde Jobim passou levando sua iniciativa, antes de encerrar o périplo em La Paz.

Questionado sobre se o pouco entusiasmo do presidente colombiano Alvaro Uribe afetaria o projeto, o ministro brasileiro disse que, até onde sabe, "a Colômbia afirmou que vai estudar o tema".

Antes, Jobim já havia dito que não seria conveniente que Bogotá se isolasse de uma iniciativa de semelhante magnitude e características.

Segundo o ministro, a intenção é que depois da Cúpula da Unasul, na sexta-feira em Brasília, possam ser dados mais alguns passos na direção de sua consolidação antes do fim do ano.

"O que faremos é (criar) um grupo de trabalho de duas pessoas por país para o projeto do Conselho", explicou Jobim, depois de seu encontro com Morales.

Sobre o entusiasmo dos países em relação à iniciativa brasileira Jobim não falou especificamente, mas destacou, em sua visita ao Uruguai na última sexta-feira, o apoio de "Rafael Correa (Equador) e Michelle Bachelet (Chile)" além da "cautela de Alvaro Uribe (Colômbia).

No caso boliviano, Nelson Jobim disse que o país governado pelo socialista Evo Morales respalda a formação do Conselho.

"A Bolívia manifestou seu apoio, através do presidente Evo (Morales) e do ministro (da Defesa) Walker (San Miguel)".

Durante uma recente visita a Montevidéu, o ministro da Defesa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva explicou que o Conselho Sul-Americano "não é uma aliança militar clásica nem uma força militar de luta, mas sim um âmbito de diálogo para articular posições" entre os ministérios da Defesa e os governos da região, sob os princípios de "confiança, transparência e segurança".

jac/dm/ap

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG