Proporção de pobres na América Latina e no Caribe diminui, diz BM

Washington, 26 ago (EFE).- Um relatório do Banco Mundial (BM) publicado hoje afirma que diminuiu a proporção de pobres que vivem com menos de US$ 1,25 por dia na América Latina e no Caribe nos últimos 24 anos, embora em números absolutos tenha crescido devido ao aumento da população, passando de 44,9 milhões de pessoas para 45,1 milhões.

EFE |

No estudo, o BM revisou os números existentes até agora sobre o nível de miséria em cada região em desenvolvimento entre 1981 e 2005, e fixou em US$ 1,25 ao dia a nova linha de pobreza.

O relatório revelou que há mais pobres que em estudos anteriores, já que o novo método de cálculo aplicado pelo BM, baseado no Programa de Comparação Internacional (PCI) de 2005, elevou o número de carentes em mais de 400 milhões de pessoas.

Desta forma, a pobreza atingiu 1,4 bilhão de pessoas no mundo em desenvolvimento em 2005, que tiveram de sobreviver com menos de US$ 1,25 por dia, número que, no entanto, supõe uma melhora, se comparado aos 1,9 bilhão de 1981.

Os dados disponíveis até agora mostravam que 985 milhões de pessoas viviam abaixo da linha da pobreza com US$ 1 por dia em 2004, contra os 1,5 bilhão de 1981.

Os US$ 1,25 por dia representam a média nacional da linha de pobreza nos 10 a 20 países mais pobres, o que supõe "a maior mudança na história" para medir a pobreza, disse hoje Martin Ravallion, diretor do Grupo de Pesquisas sobre o Desenvolvimento do Banco Mundial.

De acordo com o relatório, ainda há diferenças regionais nos avanços na luta contra a pobreza.

No leste asiático, a pobreza diminuiu, de quase 80% da população que vivia com US$ 1,25 por dia em 1981, para 18% em 2005. Porém, na África Subsaariana a porcentagem de pobres se manteve em 50%.

Na América Latina e no Caribe, o número de pobres que vivem com menos de US$ 1,25 diários ficou, em 2005, em 45,1 milhões de pessoas, contra os 44,9 milhões em 1981.

Em termos porcentuais, e devido a fatores demográficos, a pobreza diminuiu dos 12,3% registrados em 1981, para 8,2% há três anos.

O relatório do BM indicou que nessa região se observa uma tendência de redução do nível de pobreza, embora ressalte que não é suficiente para diminuir os números para todo o período de 1981 a 2005.

A instituição financeira disse, no entanto, que houve sinais mais encorajadores desde 1999.

Os dados mostraram que o número de pobres na América Latina e no Caribe registrou uma redução considerável em 1990, mas que, em 1999, houve outra vez um aumento, com 58,8 milhões de pessoas.

Dois fatores influem no fato de os números terem se estagnado nos últimos 24 anos nessa região: um crescimento econômico baixo e uma grande desigualdade na população, explicou à Agência Efe Ravallion.

"É uma combinação de fatores", disse o diretor. Segundo ele, medidas para o crescimento econômico "com igualdade" e combinadas com reformas sociais e econômicas orientadas ao mercado contribuem para reduzir a pobreza.

Tanto ele quanto Justin Lin, economista-chefe e vice-presidente de Economia para o Desenvolvimento do organismo do BM, concordaram em ressaltar que a luta contra a pobreza produz resultados, já que o número de pobres no mundo em desenvolvimento vem diminuindo em aproximadamente um ponto percentual ao ano desde 1981.

De fato, o número de pobres diminuiu em 500 milhões de pessoas desde 1981, passando de 52% a 26% em 2005.

Por isso, diz o BM, o mundo em desenvolvimento "provavelmente conseguirá alcançar o primeiro dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, e reduzir pela metade, em 2015, o nível de pobreza que havia em 1990, embora nem todas as regiões vão atingir a meta", explicaram Ravallion e Lin.

O BM, embora tenha se mostrado timidamente otimista sobre os números de pobreza, advertiu que com o atual ritmo de progresso registrado em diferentes regiões ainda haverá cerca de 1 bilhão de pessoas vivendo com menos de US$ 1,25 por dia em 2015.

O organismo financeiro também afirmou que a maioria das pessoas que sobrevivem com um pouco mais de dinheiro continuará sendo pobre para os padrões de países com renda média.

Os dados do BM não incluem a alta dos preços dos alimentos e do petróleo registrados a partir de 2005, o que poderia fazer com que o número de pobres no mundo em desenvolvimento aumentasse em 100 milhões, até 1,5 bilhão, segundo Ravallion. EFE cae/rb/gs

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