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Proporção de meninas cai a nível histórico na Índia, alerta ONG

O número de meninas que nascem e sobrevivem na Índia caiu para a menor proporção em relação aos meninos, alerta um estudo da organização britânica ActionAid e do canadense Centro Internacional de Pesquisas para o Desenvolvimento. Os abortos de fetos do sexo feminino e a negligência em relação às bebês já levaram a casos como o de uma área da província de Punjab onde existem apenas 300 meninas para cada mil meninos entre as famílias das castas superiores.

BBC Brasil |

"Estamos dizendo que existe apenas um terço das meninas que deveriam existir nessas comunidades", disse à BBC Laura Turquet, porta-voz da organização.

"Estamos falando de povoados nos quais quase não existem meninas, de salas de aula sem meninas, de ruas onde só há meninos brincando."
O relatório, intitulado Disappearing Daughters ("Filhas que desaparecem", em tradução livre), adverte que a Índia terá um futuro "sombrio" se não tomar medidas para pôr fim à preferência cultural por crianças do sexo masculino.

Uma estimativa da revista médica Lancet sugere que cerca de 10 milhões de fetos do sexo feminino foram abortados na Índia de maneira seletiva ao longo dos últimos 20 anos.

As estatísticas desafiam a lei que, desde 1994, proíbe o aborto seletivo no país.

Ajuda tecnológica
A equipe de pesquisadores visitou mais de 6 mil domicílios em cinco Estados do noroeste indiano e comparou as estatísticas com o censo nacional
Sob circunstâncias consideradas "normais", eles esperariam verificar a existência de pelo menos 950 meninas para cada mil meninos - mas em três das cinco províncias visitadas o número foi abaixo de 800.

Além disso, em quatro das cinco províncias a proporção de meninas em relação a meninos vem diminuindo desde o censo de 2001.

O estudo revelou que a taxa de meninas para meninos cai mais fortemente nas áreas urbanas relativamente prósperas.

Em entrevista à BBC, o professor Rubindra Kaur, do Instituto Indiano de Tecnologia, sugeriu que a tendência é reforçada pela disseminação da ultrassonografia.

"O ultrassom permite escolher o sexo antes de o bebê nascer, e essa é uma das principais razões para que tenha havido um declínio tão grande na população feminina."
Condenadas de antemão
Segundo o relatório, o aborto seletivo não é o único recurso pelo qual as famílias selecionam o sexo de suas crianças - o documento assinala outras práticas ilegais, como permitir que o cordão umbilical infeccione ou negligenciar tratamento às meninas que adoecem.

"O verdadeiro horror dessa situação é que, para as mulheres, evitar ter filhas é uma decisão racional. Mas para a sociedade como um todo está se criando um estado de coisas terrível e desesperador", disse Laura Turquet, da ActionAid.

"No longo prazo, as atitudes culturais têm de mudar. A Índia tem de enfrentar barreiras econômicas e sociais, incluindo os direitos de propriedade (sobre as meninas), dotes de casamento e papéis destinados aos gêneros que condenam as garotas antes mesmo de elas nascerem", ela acrescentou. "Se não agirmos agora, o futuro parece sombrio."

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