Propagação da gripe suína no México pode ser menor que o esperado

(corrige título) Juan David Leal. México, 2 mai (EFE).- O México divulgou hoje novos dados indicando que a propagação da gripe suína no país pode ser menor do que as autoridades temiam, embora o Governo mantenha um otimismo moderado após confirmar que nas últimas horas não aumentou o número de mortos em nível nacional.

EFE |

Após analisar 1.105 amostras de pacientes que adoeceram no México e apresentavam sintomas suspeitos, as autoridades médicas confirmaram hoje que 427, menos da metade, correspondem a contagiados com o vírus AH1N1, causa comprovada da morte de outras 16 pessoas em todo o país.

Entre a noite de ontem e a manhã de hoje não se registrou nenhum aumento no número de vítimas fatais causadas pelo vírus.

Além disso, a Prefeitura da Cidade do México, a mais afetada no mundo pela gripe suína, informou que a capital já completa dois dias sem registrar mortes, apesar de 11 das 16 vítimas fatais contabilizadas até agora no país ocorrerem na capital.

Na segunda-feira, as autoridades mexicanas calculavam ainda em 149 o número de mortes suspeitas pela gripe, a maioria das quais descartadas durante a semana.

De fato, o ministro da Saúde mexicano, José Ángel Córdova, afirmou em entrevista coletiva que, por enquanto, só há mais duas mortes suspeitas de terem sido causadas pela gripe suína, o que será confirmado ou descartado com novos testes clínicos.

Nos últimos dias, cresceu o número de vítimas comprovadamente causadas pela gripe suína no México, mas não porque mais pessoas morreram, e sim porque as autoridades começaram a revisar com melhores instrumentos clínicos centenas de mostras de casos considerados "suspeitos".

Algumas dessas mortes ocorreram inclusive antes que do alerta sanitário, disparado há nove dias, em 23 de abril.

Córdova explicou que os estudos mostram que "aparentemente foi muito baixa a taxa de transmissão" da gripe suína, e que "as entradas (de pacientes aos hospitais) se mantiveram, em alguns casos, iguais e, em outros, diminuíram um pouco".

Ele destacou que os números mostram que "felizmente seu comportamento (do vírus) não parece tão agressivo".

Também, sustentou que "o índice de óbitos, a virulência do vírus é menor" que a de outros casos, como o da gripe aviária, que afetou o sudeste Asiático, em 2003.

No entanto "seria precipitado ainda dizer que já passamos o momento mais complicado, o que acho (...) é que estamos em uma etapa de estabilização" da doença, especificou Córdova.

Ele ainda detalhou que é preciso sustentar a tendência de baixa nos números de contágio nos próximos dias para poder assegurar que a expansão do vírus tenha sido controlada no país.

Córdova ressaltou que desde hoje, "praticamente" todos os testes de contágio estão sendo feitos sobre mortes ocorridas apenas um ou dois dias antes, após a revisão de todos os casos suspeitos registrados nas últimas semanas.

Ele também rejeitou que a reação do Governo mexicano contra a epidemia tenha sido exagerada.

"É absurdo pensar que o México está supervalorizando por protagonismo ou por 'show' uma doença potencialmente gravíssima, como reconheceu a Organização Mundial da Saúde (OMS)", disse.

Entre outras medidas, o México suspendeu as aulas em todo o país em universidades e escolas, afetando 33 milhões de estudantes e cancelou atividades não essenciais do Governo entre 1º e 5 de maio.

Na Cidade do México, vazia e com pouco trânsito, foram cancelados todos os eventos de massa, seus mais de 35 mil restaurantes só podem vender comida para entrega em domicílio, e todos os bares, discotecas e museus, entre outros locais de concetração de pessoas, permanecem fechados.

O pânico criado por este novo vírus afetou sobretudo a indústria do turismo, terceira força econômica do país, depois do petróleo e das remessas do exterior, o que se traduziu em cancelamentos de voos, cruzeiros, viagens e na saída de milhares de viajantes.

A ajuda internacional começou a chegar ao país e hoje o embaixador da Espanha, Carmelo Angulo, fez a entrega do primeiro pacote com produtos médicos que fazem parte de uma linha comprometida de 1 milhão de euros (R$ 2,8 bilhões). EFE jd/jp

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