Promotoria venezuelana solicita prisão de líder oposicionista

Por Patricia Rondón Espín CARACAS (Reuters) - O Ministério Público da Venezuela pediu na quinta-feira a prisão do prefeito oposicionista Manuel Rosales, sob acusação de enriquecimento ilícito.

Reuters |

A medida representa a ação mais dura dos últimos anos contra um adversário do presidente Hugo Chávez, e poderia significar 3 a 10 anos de prisão caso se comprovem as irregularidades supostamente ocorridas quando Rosales governava o Estado de Zúlia (oeste).

"A medida (de prisão) foi solicitada no mesmo escrito, de todas maneiras isso será elucidado na audiência preliminar (...). É o tribunal quem deve aceitá-la ou não", disse a promotora Katiuska Plaza à TV estatal.

Rosales, um dos principais líderes da fragmentada oposição venezuelana, disse que Chávez está por trás do processo.

"Não é o Ministério Público. Essa é uma ordem que Chávez deu desde o final do ano passado e esteve insistindo nesse tema porque, como todos sabemos, na Venezuela os poderes não funcionam", disse ele ao canal local Globovisión.

"Vou enfrentá-lo em todos os terrenos. Chávez é um covarde que, agarrado às calças dos militares, com os poderes controlados, pretende dobrar o povo da Venezuela dando um chute na Constituição", acrescentou, irritado.

A oposição acusa Chávez de querer ocupar todos os espaços de poder no país, enquanto o presidente assegura que seus adversários representam interesses da "oligarquia" contrária à sua "revolução socialista".

Rosales, com mais de 30 anos de carreira política no petroleiro Zúlia - Estado de maior população no país -, foi o candidato único da oposição contra Chávez na eleição presidencial de 2006. Derrotado, continuou sendo um dos maiores detratores do presidente.

No final do ano passado, quando se candidatou a prefeito de Maracaibo, capital de Zúlia, a Assembleia Nacional e a Promotoria começaram a investigá-lo por suposta corrupção, instruídos por Chávez.

Entretanto, depois que o presidente disse em reiteradas ocasiões que seu rival seria preso, as águas se acalmaram durante a bem sucedida campanha eleitoral que permitiu a Chávez eliminar os limites à sua reeleição, no referendo de um mês atrás.

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