Promotoria pede pelo menos 30 anos de prisão para ex-motorista de Bin Laden

Washington, 7 ago (EFE).- Salim Hamdan, ex-motorista de Osama bin Laden, pode ser condenado a no mínimo 30 anos de prisão por apoio material ao terrorismo, caso o júri da comissão militar que realiza seu julgamento ajuste sua sentença à recomendação feita hoje pela Promotoria.

EFE |

"Vocês devem considerar uma sentença de prisão perpétua ao analisarem os fatos deste caso", disse o promotor John Murphy ao júri, composto de cinco homens e uma mulher, escolhidos pelo Pentágono.

"A condenação não deve ser inferior a 30 anos", acrescentou.

O júri declarou na quinta-feira que Hamdan era culpado de cinco acusações de apoio ao terrorismo, no primeiro julgamento por crimes de guerra realizado pelos EUA desde a Segunda Guerra Mundial.

Hamedan pediu hoje, em sua última audiência perante o júri antes de conhecer sua sentença, para não ser condenado à prisão perpétua.

Em seu comparecimento, Hamdan reconheceu que continuou trabalhando para Osama bin Laden mesmo após saber que o líder da rede terrorista Al Qaeda tinha planejado atentados terroristas.

De pé e cabisbaixo, Hamdan reiterou que seu único motivo para trabalhar para Bin Laden foi porque "necessitava de um emprego".

Segundo ele, o líder da Al Qaeda lhe pagava um bom salário e lhe tratava com respeito, mas afirmou que, após algum tempo, "sua opinião sobre Bin Laden mudou".

Hamedan admitiu que sabia que seu chefe estava por trás dos atentados contra duas embaixadas americanas no Quênia e na Tanzânia, em 1998, e contra o destróier USS Cole, no porto de Áden, no Iêmen, em 2000.

"Foi um grande choque para mim quando me dei conta do que estava fazendo aquele que tinha me tratado (...) com respeito, consideração e cordialidade", disse Hamdan, que apesar disso, seguiu trabalhando para Bin Laden.

"Não tinha outra opção. Decidi voltar mais uma vez a meu trabalho no Afeganistão com Bin Laden", se justificou perante o júri.

Pouco depois, ocorreram os atentados de 11 setembro de 2001. Dois meses depois, ele foi detido, quando levava sua esposa à fronteira do Afeganistão com o Paquistão.

Hamdan não estava sob juramento quando fez estas declarações, com as quais deseja conseguir uma sentença menos severa.

O juiz militar, o capitão Keith Allred, já determinou a exclusão de cinco anos de prisão da sentença, anos que já passou na prisão da base naval de Guantánamo, em território cubano.

O júri começará esta noite a deliberar para determinar uma sentença. Segundo as normas das comissões militares, a sentença deve ser emitida pelo júri, e não pelo juiz.

A decisão não tem que ser unânime. Um assessor legal do Pentágono revisará depois a sentença, e terá capacidade de reduzi-la, mas não de aumentá-la.

A sentença será revisada automaticamente por um tribunal militar de apelações em Washington, e Hamdan pode recorrer perante um tribunal civil. EFE cai/gs

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