Promotoria pede julgamento de Berlusconi por 'caso Ruby'

Promotores pedem que premiê italiano seja processado por mentir para conseguir libertação de marroquina

iG São Paulo |

AFP
Berlusconi concede entrevista coletiva após reunião ministerial em Roma, na Itália

A Promotoria de Milão, que investiga o primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, por suposta incitação à prostituição e abuso de poder no denominado caso Ruby, apresentou nesta quarta-feira sua solicitação de processo contra o líder perante o juiz das investigações preliminares.

A juíza Cristina Di Censo vai ter ao menos cinco dia para estudar os autos do processo e decidir se as motivações do grupo de promotores, formado por Ilda Boccassini, Pietro Forno e Antonio Sangermano, se sustentam ou não. Se o premiê for para o banco dos réus poderá se condenado a uma pena de até 15 anos de prisão.

Pouco depois do anúncio de que o pedido da promotoria tinha sido entregue ao juiz, Berlusconi disse que a investigação é "repugnante" e busca prejudicar seu governo. ''Estas ações estão violando a lei, elas vão contra o Parlamento, porque os promotores de Milão não têm jurisdição; a vítima não existe e não sofreu qualquer ameaça'', afirmou Berlusconi. O premiê acrescentou ainda que ''todas estas coisas têm um objetivo subversivo''.

Em comunicado, a promotoria afirma ter "transmitido ao juiz de investigações preliminares a solicitação de julgamento imediato com base na evidência das provas". O julgamento imediato permite que o processo aconteça mais rapidamente, de acordo com o código penal italiano.

Para que a promotoria possa solicitar o procedimento imediato, em que não se prevê a realização de uma audiência preliminar, é necessário que exista uma prova evidente e que o suspeito tenha sido convocado a depor sobre os fatos.

Segundo a imprensa italiana, no caso do delito de concussão a prova imediata se refere ao telefonema feito por Berlusconi em 27 de maio a uma delegacia de Milão para que libertasse a menor marroquina Ruby R. - retida por um pequeno roubo -, sob alegação de que ela era sobrinha do presidente egípcio, Hosni Mubarak.

Quanto ao delito de incitação à prostituição de menores, nos últimos dias se cogitou a possibilidade de que os promotores optassem pela citação direta na acusação de prostituição de menores. A promotoria suspeita que Ruby R. tenha mantido relações íntimas com Berlusconi em troca de presentes e dinheiro quando era menor de idade.

Com relação ao delito de prostituição de menores, o procurador-geral de Milão Bruti Liberati disse que a acusação terá como base somente as supostas relações íntimas com Ruby R., cujo verdadeiro nome é Karima el Mahroug, não se incluindo uma nova acusação por suas supostas relações com outra menor, a prostituta brasileira Iris Berardi.

A defesa de Berlusconi rejeita as acusações e pede que o caso seja julgado por um tribunal especial - o Tribunal dos Ministros - já que ele estava no exercício do mandato no período ao qual as acusações se referem.

Eles também pretendem demonstrar que Ruby, ao ser presa, teria tentado mentir sobre o ano da data de nascimento, fingindo ser maior de 18 anos para os policiais. Assim, ela teria também enganado Silvio Berlusconi.

Protestos

No dia 13 de fevereiro uma grande manifestação popular deve pedir a saída de Silvio Berlusconi. O evento chamado ''Se não Agora, Quando?'' será realizado nas praças públicas das principais cidades do país e é organizado por um grupo de mulheres.

No domingo passado, houve pancadaria entre policiais e manifestantes diante da casa de Silvio Berslusconi, em Arcore, durante um protesto pela sua demissão.

No sábado, dez mil pessoas, entre elas o escritor Umberto Eco, participaram de um encontro público em Milão para exigir a renúncia do primeiro-ministro.

Com AFP e BBC

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