Promotoria pede 30 anos de prisão para Fujimori durante alegações finais

Lima, 12 jan (EFE).- O julgamento do ex-presidente peruano Alberto Fujimori por abusos aos direitos humanos entrou hoje na fase das alegações finais com o pronunciamento do promotor supremo José Peláez, que começou a argumentação sobre a autoria mediata no crime de homicídio qualificado.

EFE |

Após 13 meses de processo penal, a sala presidida pelo juiz César San Martín passou a palavra ao promotor para que faça as alegações sobre sua acusação pela morte de 15 pessoas no massacre de Barrios Altos em 1991 e de outras dez na universidade La Cantuta em 1992, todos os homicídios cometidos pelo grupo paramilitar Colina.

Fujimori também é acusado pelos seqüestros do jornalista Gustavo Gorriti e do empresário Samuel Dyer, depois do "autogolpe" de 1992.

A Promotoria pediu 30 anos de prisão para Fujimori, pois é considerado o autor mediato, ou seja, quem planejou e promoveu a comissão do delito, das referidas mortes e seqüestros, durante seu Governo (1990-2000).

As mortes faziam parte de uma aparente política paralela de combate ao terrorismo elaborada em forma conjunta com seu então assessor de inteligência Vladimiro Montesinos.

Peláez explicou que sua argumentação tomará quatro sessões, até 21 de janeiro, e que hoje faria uma introdução do caso, da defesa da pessoa humana e um resumo do conflito interno como conseqüência da violência terrorista no Peru entre 1980 e 2000.

Na segunda sessão, na quarta-feira, o promotor abordará a decisão do acusado, a teoria da autoria mediata, os orçamentos em seu então Governo, a criação do aparelho de poder e do Serviço de Inteligência Nacional (SEN), que foi dirigido na sombra por Montesinos.

Já em 19 de janeiro, Peláez se dedicará ao grupo clandestino Colina e sua atividade criminosa, e sobre o domínio do acusado na organização.

Na última sessão da Promotoria, em 21 de janeiro, Peláez falará sobre o golpe de Estado dado por Fujimori em 1992, os seqüestros derivados dessa ação, as sentenças da Corte Interamericana de Direitos Humanos e o Tribunal Constitucional sobre os casos de Barrios Altos e La Cantuta.

Além disso, falará sobre o trabalho da Comissão da Verdade e Reconciliação (CVR) para esclarecer os massacres, as questões probatórias e a fundamentação final do Ministério público.

Após a intervenção do promotor, será a vez das alegações dos advogados da parte civil, depois da defesa de Fujimori e, por fim, do próprio acusado.

Em declarações ao canal "N", o advogado da parte civil, Carlos Rivera, afirmou que "a intensidade e a qualidade do processo judicial" permitiram "demonstrar que Fujimori mentiu de maneira absoluta no processo judicial".

A Promotoria informou que a sentença deve sair em final de fevereiro ou início de março. EFE mmr/db

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