Promotoria finlandesa investiga policial que interrogou assassino

Helsinque, 25 set (EFE).- A Promotoria finlandesa ordenou hoje que seja aberta uma investigação para determinar se o comissário de Polícia que interrogou Matti Saari um dia antes de ele matar dez pessoas em uma escola de Kauhajoki (Finlândia) atuou com negligência.

EFE |

O comissário, cujo nome não foi revelado, está abalado com a situação e recebe ajuda psicológica para tentar superar o trauma de saber que poderia ter impedido o massacre.

Na última sexta, um internauta ligou para a Polícia finlandesa e denunciou que alguém com o apelido de "Mr. Saari" havia divulgado na internet quatro vídeos muito semelhantes aos gravados por Pekka-Eric Auvinen antes de matar a tiros oito pessoas em um instituto finlandês em 7 de novembro do ano passado.

Imediatamente, a Polícia de Kauhajoki examinou os vídeos e descobriu a identidade real de seu autor, Matti Saari.

Ao comprovar que este tinha licença de armas de fogo havia um mês, o comissário encarregado entrou em contato com Saari para interrogá-lo, embora não tenha conseguido até a última segunda.

Segundo o jornal "Hufvudstadsbladet", Saari foi à estação policial, onde conseguiu enganar o comissário, um homem com quase 30 anos de experiência, sobre seu estado de saúde mental.

Ao terminar a entrevista, o agente não viu nenhuma razão que motivasse a retirada da licença de armas de Saari nem o confisco de sua pistola, embora tenha decidido seguir seu caso de perto.

Segundo um dos psicólogos que atendem o comissário, "Saari se comportou racionalmente, respondeu todas as perguntas e explicou as coisas de uma forma que não indicava nada alarmante".

Casualmente, o agente é a mesma pessoa que concedeu a licença de armas ao assassino há aproximadamente um mês.

Vários porta-vozes policiais expressaram sua solidariedade com o comissário e defenderam sua atuação.

"Os regulamentos e leis vigentes não permitem que a Polícia possa atuar de nenhuma outra forma" diferente da dele, afirmou Vesa Nyrkinen, o chefe de Polícia de Seinäjoki, cidade próxima a Kauhajoki.

O certo é que menos de 24 horas após o interrogatório, Matti Saari entrou em uma sala de aula da escola de hotelaria de Kauhajoki e matou nove estudantes e um professor antes de se suicidar.

Este fato demonstrou que o massacre que aconteceu dez meses atrás no instituto Jokela pelas mãos de outro estudante não foi um fato isolado, como a sociedade finlandesa acreditava.

Por este motivo, o Governo liderado pelo primeiro-ministro Matti Vanhanen começou a trabalhar em uma reforma da legislação vigente que permita restringir o acesso a armas de fogo, especialmente às pistolas.

A nova lei endurecerá a concessão de permissões de armas, estudando o estado de saúde mental dos solicitantes, e aumentará o controle sobre o armazenamento das mesmas. EFE jg/fh/fal

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