Promotoria estuda acusar de escravidão austríaco que trancou filha no porão

Viena, 4 ago (EFE) - A Promotoria austríaca estuda acrescentar o crime de escravidão às acusações contra Josef Fritzl, que confessou ter trancado e violentado durante 24 anos a filha Elisabeth, com a qual teve sete filhos, apesar de um ter morrido pouco depois de nascer.

EFE |

"O que o acusado fez pode ser qualificado como algo parecido com escravidão", explicou hoje à Agência Efe Gerhard Sedlacek, porta-voz da Promotoria de Sankt Pölten, capital do Estado de Baixa Áustria.

Sedlacek disse que a Promotoria estuda a possibilidade, já que a contínua falta de liberdade de Elisabeth e seus filhos poderia ser incluída no parágrafo do Código Penal dedicado ao tráfico de escravos e situações parecidas com a escravidão.

Caso seja processado por este ponto, Fritzl pode receber sentença de um máximo de 20 anos de prisão e seria o primeiro caso na Áustria desse tipo, indicou o porta-voz da Promotoria.

A acusação se somaria assim às de privação de liberdade, incesto e violação, sendo este a maior acusação, que poderia acarretar no máximo uma condenação de 15 anos.

A Promotoria ainda está à espera do relatório de um especialista médico que deve responder sobre o grau de responsabilidade do detido na morte, três dias depois do parto, de um dos gêmeos que Elisabeth deu à luz em 1997 e cujo corpo foi incinerado pelo pai-avô na caldeira da casa.

Segundo Sedlacek, será preciso determinar até que ponto "o bebê teria sido capaz de viver", pelo que, em função desse relatório, Fritzl também poderia ser acusado de "homicídio por negligência", com o que pode receber até prisão perpétua.

Também está pendente a avaliação psiquiátrica do acusado, em prisão preventiva na penitenciária de Sankt Pölten.

O advogado de Fritzl, Rudolf Mayor, insistiu em que o réu é um doente mental que não é responsável por seus atos.

O julgamento deve começar no fim do ano e a Promotoria confia em aprontar a ata de acusação no final de setembro. EFE ll/db

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