Promotoria denuncia ameaças a presidente Cristina Kirchner durante um voo

BUENOS AIRES - A Promotoria do Estado argentino denunciou hoje à Justiça supostas ameaças à presidente Cristina Kirchner, por meio de interferências no sistema de comunicações do helicóptero que usa para se locomover.

EFE |

AFP
Cristina Kirchner
Cristina Kirchner
"O que aconteceu é muito grave", disse o chefe de Gabinete argentino, Aníbal Fernández, em referência às palavras "Matem a égua", "matem-na", ditas por um desconhecido que interferiu no sistema de comunicação do piloto do helicóptero com uma base da Força Aérea.

É "um gesto ameaçante e intimidador para a presidente", disse Aníbal Fernández.

A interferência, divulgada na sexta-feira pelo canal de televisão "C5N", aconteceu quando a presidente ia de helicóptero de sua residência oficial, nos arredores de Buenos Aires, para a sede do Governo, no centro da capital.

"Estamos falando de equipamentos que somente podem ser usados desde outra aeronave ou a partir de um lugar desde onde se administre informação de algum aparelho DHF, que são os que permitem colocar-se dentro desta frequência", explicou o chefe de Gabinete em declarações à emissora "Rádio 10".

Ao ser consultada pela imprensa sobre a denúncia, Cristina Kirchner  disse que o episódio é uma "mostra que os dinossauros ainda estão por aí", em alusão aos integrantes da ditadura.

Por sua parte, o marido de Cristina, o ex-presidente da Argentina Néstor Kirchner (que governou entre 2003 e 2007), também relacionou as ameaças com os juízos a repressores, em ato na cidade de Rosário (centro do país).

"Jamais vão nos perdoar por termos acabado com a impunidade na Argentina, e ali está sofrendo a presidente com ameaças permanentes", disse.

"Não seremos perdoados por aqueles que definitivamente reprimiram o povo argentino. Estão conhecendo sem vingança o banco da Justiça para que o senso de cumprimento da lei, como corresponde a todos os cidadãos, seja sentido", acrescentou.

O secretário-geral da Presidência, Oscar Parrilli, notificou o incidente à Procuração Geral (Promotoria de Estado), cujo titular, Esteban Righi, apresentou uma denúncia perante a Câmara Federal de Buenos Aires.

Aníbal Fernández admitiu a possibilidade de as ameaças estarem vinculadas ao julgamento que começou na sexta-feira passada contra o ex-capitão de fragata Alfredo Astíz e outros 18 ex-membros da Marinha por delitos de lesa-humanidade cometidos na Escola Superior de Mecânica da Armada, onde funcionou o maior centro clandestino de detenção da ditadura argentina, entre 1976 e 1983.

De acordo com um relatório da Casa Militar, além dos insultos à governante, a interferência incluiu cinco segundos de uma marcha militar identificada com a última ditadura.

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