Promotoria de Honduras pede prisão de Zelaya por fraude e falsificação

Tegucigalpa, 24 fev (EFE).- O Ministério Público de Honduras pediu hoje à justiça a captura do ex-presidente Manuel Zelaya, dois ex-ministros e outros dois ex-funcionários de seu Governo, contra quem foi aberto um novo processo de fraude, falsificação de documentos e abuso de autoridade.

EFE |

A Promotoria contra a Corrupção apresentou o requerimento no Juizado Penal de Tegucigalpa.

Segundo a Promotoria, o caso se refere ao desvio de 30 milhões de lempiras (US$ 1,6 milhão) do Fundo Hondurenho de Investimento Social (FHIS) para despesas publicitárias da Casa Presidencial, autorizadas mediante um decreto executivo emitido meses depois da despesa feita.

Além de Zelaya, os acusados são seus ex-ministros da Presidência e das Finanças, Enrique Flores Lanza e Rebeca Santos, ambos estão foragidos por outro caso de suposta corrupção; o ex-vice-ministro de Finanças José Antonio Borjas e o ex-diretor do FHIS César Salgado.

O promotor contra a Corrupção, Henry Salgado, disse aos jornalistas que este novo processo surgiu a partir de "um relatório enviado pelo Tribunal Superior de Contas ao Ministério Público em relação a 30 milhões de lempiras que foram pagos pela contratação direta" para publicidade, "sem passar pelos trâmites da Lei de Contratação".

"Tecnicamente, (o dinheiro era) para publicidade supostamente da Casa Presidencial, mas na realidade foi tirado do FHIS".

A despesa foi autorizada em setembro de 2008 e em dezembro seguinte o pagamento foi feito, mas o decreto executivo só ocorreu em janeiro de 2009.

Este é o segundo processo que o Ministério Público abre contra Zelaya por acusações de corrupção relacionadas com despesas publicitárias, pois por outro caso similar o ex-líder tem pendente uma ordem de prisão.

O ex-governante tem ainda outra ordem de captura por crime contra a forma de Governo, traição à pátria, abuso de autoridade e usurpação de poderes, relacionados com a consulta que tentou realizar em 28 de junho, quando foi destituído, para promover uma Assembleia Constituinte que havia sido declarada ilegal pelas instituições do Estado.

A anistia política vigente desde segunda-feira o beneficia da acusação pelos delitos políticos como traição à pátria, delitos contra a forma de Governo, terrorismo e sedição, mais vários delitos comuns conexos. Não contempla, no entanto, os crimes de corrupção, de lesa-humanidade e violações dos direitos humanos. EFE lam/dm

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