Promotoria averiguará uso de aviões do Estado para amigos de Berlusconi

Roma, 1 jun (EFE).- O promotor de Roma, Giovanni Ferrara, ordenou uma investigação para esclarecer se na utilização de aviões do Estado à disposição do primeiro-ministro, Silvio Berlusconi, foram cometidos eventuais comportamentos penais ou abusos, informou hoje o jornal La Repubblica.

EFE |

Com esta decisão, a Promotoria pretende esclarecer os supostos "voos de Estado e da Aeronáutica militar" italiana que teriam levado amigos e convidados de Berlusconi até o aeroporto de Olbia, na ilha de Sardenha, para assistir a festas organizadas pelo primeiro-ministro em sua mansão, no litoral Esmeralda.

Ferrara pedirá, sempre segundo as mesmas fontes, a normativa que regula o uso de aviões da frota do Estado à disposição das autoridades e em caso de "suspeita de irregularidades" abrirá um expediente.

A decisão do promotor foi conhecida depois que no domingo passado a oposição italiana pediu explicações a Berlusconi pelo suposto uso privado de aviões militares para levar a suas festas de Sardenha cantores e amigos.

Roberta Pinotti, responsável de Defesa do Partido Democrata (PD) denunciou que foi "triplicado" o uso de aviões militares desde a chegada do Governo Berlusconi.

Segundo Pinotti, confrontando os quatro primeiros meses de 2008 com o mesmo tempo de 2009, o número de voos passou de 150 horas mensais para 400 horas.

Cada hora, diz o jornal, custa entre 4 mil e 5 mil euros.

O líder da Itália dos Valores (IDV, na oposição), Antonio di Pietro, denunciou que se for confirmado que dos aviões militares "desceram anões e dançarinas para passar 48 horas de festa (na casa de Berlusconi), há uma pluralidade de atos ilícitos além de imoralidade".

"A isso se soma o uso de um meio de transporte estatal para atividades não institucionais; se tudo isto for verdade estaria se cometendo um delito. Pediremos explicações ao Parlamento", acrescentou.

O Governo anterior, de Romano Prodi, ditou uma normativa que limitava o uso de aviões do Estado aos presidentes da República, Senado, Câmara dos Deputados, Conselho de Ministros, Tribunal Constitucional e ex-presidentes da República.

Berlusconi, disse "La Repubblica", introduziu a possibilidade de levar a bordo hóspedes e personalidades institucionais, "levando em conta natureza da viagem, categoria das pessoas, exigências de protocolos e costumes". EFE jl/ma

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