Haia, 3 mar (EFE).- O promotor-chefe do Tribunal Penal Internacional (TPI), Luis Moreno Ocampo, afirmou hoje que tem provas abundantes contra o presidente do Sudão, Omar al-Bashir, sobre cuja eventual ordem de detenção os juízes desta corte da ONU decidirão amanhã.

Em julho de 2008, Ocampo solicitou que os magistrados do TPI emitissem uma ordem de detenção contra Bashir, a quem acusa de crimes de guerra e genocídio que teriam sido cometidos na região sudanesa de Darfur.

O promotor-chefe afirmou hoje à imprensa que tem "provas suficientes, tanto sobre os crimes quanto sobre a intenção de cometê-los". Issa última - a intenção - é necessária para poder afirmar que houve genocídio.

Também disse "estar preparado" para qualquer decisão que os juízes tomarem amanhã, e esboçou três possíveis cenários.

Segundo Ocampo, os juízes "podem rejeitar a solicitação (de detenção), com o qual haveria apelação; podem aceitá-la completamente; ou podem emiti-la aceitando somente algumas das acusações, com o que teríamos que pensar o que fazer a respeito".

Seja qual for a ordem amanhã, o promotor-chefe disse que a decisão dos juízes "abrirá um novo capítulo" no caso aberto no TPI sobre Darfur.

Sobre possíveis represálias no Sudão, se for confirmada a ordem de detenção, o fiscal se limitou a dizer que, caso aconteça, "Bashir somente estará dando mais razões para nossa investigação".

A acusação contra o presidente sudanês está vinculada a seu papel no conflito em Darfur, que explodiu em fevereiro de 2003 e que deixou cerca de 300 mil mortos e obrigou 2,5 milhões de pessoas a deixar suas casas, segundo cálculos da ONU. EFE mr/an

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.