Promotor pede prisão de Menem por irregularidades em investigação de atentado

BUENOS AIRES - Um promotor federal pediu nesta quinta-feira a detenção do ex-presidente argentino Carlos Menem em um caso de irregularidades na investigação do atentado de 1994 contra a Associação Mutual Israelita Argentina (Amia), em Buenos Aires, que deixou 85 mortos.

EFE |

O promotor também solicitou a prisão de Munir Menem, um dos irmãos do ex-presidente; do ex-chefe dos serviços secretos Hugo Anzorreguy; e de Juan José Galeano, o juiz que investigou o atentado, entre outros, informaram fontes judiciais.

Ao pedir a detenção de Carlos Menem, o promotor Alberto Nisman reivindicou ao juiz federal Ariel Lijo a retirada dos privilégios do ex-governante.

Nisman mantém em sigilo os fundamentos de seu pedido, mas pessoas próximas às vítimas do atentado contra a Amia disseram que o promotor "deu por provado" que Menem e Munir protegeram uma das pessoas que ajudou a planejar o ataque.

Enquanto isso, o secretário-geral da Amia, Edgardo Gorenberg, disse que vê com "grande expectativa" que o pedido do promotor "comece a esclarecer o atentado", executado em 18 de julho de 1994, que também deixou centenas de feridos.

Vários acusados foram absolvidos por falta de provas em setembro de 2004, após quase três anos de julgamento, o que escandalizou a opinião pública.

O ataque à Amia foi o segundo atentado terrorista contra alvos judeus na Argentina, após o ataque à Embaixada de Israel em Buenos Aires, cometido em 17 de março de 1992 e que causou a morte de 29 pessoas.

Os dois atentados foram atribuídos a organizações terroristas islâmicas, e a Justiça argentina declarou foragidos nove iranianos, entre eles o ex-presidente do Irã Hashemi Rafsanjani, cuja prisão foi pedida no ano passado como um dos responsáveis pelo ataque à Amia.

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